Vou a uma festa e agora?

Como vai caro leitor?

Continuamos a falar de Comportamento Alimentar. Isto porque acreditamos ser ele a ditar o sucesso dos planos alimentares a curto e médio prazo. 

Hoje descrevemos-lhe uma situação com elevada disponibilidade alimentar. Será que “a dieta” fica arruinada? Será que deve pensar “perdido por 100, perdido por 1000”? Que tipo de comportamento deve adotar para manter um comportamento alimentar saudável e com baixo impacto nutricional?

Pois bem, existem imensas ocasiões que não são “nutricionalmente” contornáveis. Isto é, onde as opções não são as mais saudáveis, equilibradas e, por razões sociais, são inevitáveis… por exemplo, jantares com menu definido, casamentos e convívios diversos. Nestes casos aplica-se a máxima “escolher do mal, o menor!” e ter em conta a quantidade

    O nosso padrão de comportamento alimentar será decisivo! Vejamos:

  • Uma pessoa com um padrão de restrição demasiado rígido irá aplicar a máxima "perdido por 100, perdido por 1000!", ou seja, os níveis de desinibição serão elevados, não reconhecendo barreiras físicas como os mecanismos de saciedade.
  • Já pessoas com níveis de restrição demasiado flexíveis tenderão a desvalorizar a situação, comendo também para além do "seu limite" e pensando que mais tarde se irá resolver.
  • O equilíbrio está no meio, isto é, manter um nível de restrição flexível que favoreça "um critério", aquando da escolha alimentar.
Vamos demonstrar através de uma situação concreta:

Um convívio

Dia completo em casa de amigos e seus familiares, ou seja, pessoas com quem temos pouca afinidade/ confiança e os níveis de "cerimónia" são elevados.

Para começar, entradas diversas: pão, queijos, camarões cozidos, salgados, amendoins, cajus, tremoços, azeitonas, chouriços e alheiras grelhadas na hora!

Primeiro, não vá para estes convívios com fome! Faça um lanche antes de sair de casa!

Já no local, comece por servir-se de uma bebida para manter “as mãos ocupadas”.

Poderá petiscar algum queijo (sem pão), os camarões (proteínas), as azeitonas (6 unidades) e os frutos oleaginosos. Estes são ricos em gorduras vegetais, que promovem a produção de sucos gástricos, que por sua vez, estimulam a produção de hormonas da saciedade (incretinas).

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De seguida, tente informar-se do que será o prato principal, assim conseguirá controlar melhor a vontade de comer as entradas. Ou caso não goste do prato, poderá reforçar um pouco mais esta fase, para depois não “atacar” as sobremesas!

Então, o prato principal foi o tradicional – cozido à portuguesa. Dependendo do que se escolhe, pode ser uma refeição muito ou nada saudável.

O ideal será compor o prato com pequenas porções, começando por servir-se dos alimentos “menos para os mais calóricos“, assim irá limitando o espaço para os que mais engordam e são mais tentadores!

Neste caso, deverá começar por servir-se de legumes (metade do prato), depois carne de vaca magra e frango (evite o porco), seguido de uma colher de arroz e uma de feijão, e, por fim, se sobrar espaço no prato ( 😉 ) uma a duas rodelas do seu enchido favorito!

Tente não ver alimentos sobrepostos, se acontecer, quer dizer que o prato tem demasiada comida!



Nestas imagens podemos ver exemplos de divisões equilibradas do prato.
De seguida vêm as sobremesas, 5 no total! 
Também aqui há que fazer escolhas equilibradas.
 
Primeiro, escolha um recipiente pequeno, assim como um talher (ex. colher de chá), irá rentabilizar o prazer 😉
Depois, comece por pôr de lado aquelas de que não é realmente fã! Imagine que o pudim e o arroz doce não são as suas favoritas, então de certeza não as irá provar (menos duas!).
Das que restarem (e que sejam mesmo do seu agrado) sirva-se de uma pequena porção de cada, ao mesmo tempo, no mesmo prato/taça! Poderá ainda começar por servir-se de fruta, à semelhança do que fez no prato principal – “do menos para o mais calórico”.
Uma última chamada de atenção vai para as bebidas, que são tão ou mais calóricas que os pratos! Prefira água, chá, café, bebidas aromatizadas como águas com gás ou, em último recurso, refrigerantes sem açúcar.

É óbvio que numa ocasião como a descrita terá comido mais do que numa situação comum, do seu dia-a-dia. Contudo, a alimentação não é só uma questão de sobrevivência, tendo uma componente social importantíssima!

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Uma restrição rígida, exagerada, nestes momentos, poderá conduzir a comportamentos alimentares desviantes como episódios de compulsão alimentar e alimentação emocional. Estes sim geradores de culpa e frustração e com grande impacto num plano de emagrecimento ou de reeducação alimentar. O mais importante é que se sinta confortável e “em paz” com as suas decisões, que coma de uma forma consciente, para que no dia seguinte volte ao seu plano alimentar saudável e ao seu exercício. Assim, terá sucesso e saúde!