Alimentação emocional

Dra. Catarina Cachão Bragadeste
Nutricionista, cédula 0402N

Cérebro com garfo e faca pronto para comer bife

Como vai caro leitor?

Hoje temos uma colaboração da psicologia e da nutrição sobre um tema que a muitos interessa:

Se por vezes o que pensamos ser compulsão ou alimentação emocional é apenas um reflexo do que comemos (mal) durante o dia, outras vezes, trata-se mesmo de uma alteração do comportamento alimentar.

A perspectiva da psicologia

Quando sentimos vontade de comer, mas essa vontade não se traduz verdadeiramente em fome e sim numa necessidade constante de preencher um vazio, então trata-se de fome emocional.

Face a determinadas situações emocionais (stress, angústia, ansiedade) o alimento pode transformar-se num substituto para o “equilíbrio emocional”.

Não é errado ter emoções negativas, aliás estas emoções são uma forma natural de sentirmos que estamos com um problema. É verdade que são desconfortáveis, não gostamos desta sensação, mas podemos tolerá-la.

Normalmente, a melhor forma de diminuir o stress é responder aos nossos pensamentos negativos e resolver o problema associado ao desconforto emocional. Porém, nem sempre é fácil ir diretamente à resolução do problema (situações fora de controlo), especialmente se já estamos habituados a procurar imediatamente conforto na comida.

São vários os episódios que podem propiciar a ingestão compulsiva de alimentos, nomeadamente:

  • Estados de humor disfórico
  • Estados emocionais (ansiedade, depressão, raiva, rejeição, frustração)
  • Acontecimentos interpessoais stressantes (situações sociais, stress no trabalho, término de um relacionamento)
  • Fome intensa após restrição alimentar
  • Restrição alimentar rígida devido a “dieta”
  • Sentimentos associados ao peso, corpo e comida

Verifica-se assim uma necessidade de preencher um “vazio” que não é fome! É como se procurasse obter um estado de calma através do preenchimento total do espaço gástrico, até à sensação de ausência de vazio.

Após esta ingestão, poderá haver uma redução dos estados emocionais descritos anteriormente, no entanto, prevalecem sentimentos de culpa, fracasso e medo de engordar.

É crucial saber distinguir se a fome é emocional ou se a fome é verdadeiramente física. A fome física é a necessidade de comer desencadeada pela falta de energia, ou seja, é a sensação física e não está relacionada com alimentos específicos. Esta fomeocorre em momentos específicos do dia e quase nunca surge em momentos aleatórios.

Por seu lado, a fome emocional é a vontade de diminuir a sensação do desconforto emocional através da comida, ou seja representa o desejo (já a fome física tem muito mais carga de necessidade). Após comer, a fome emocional ainda gera culpa, arrependimento e pior sensação do que a anterior.

O importante é prestar atenção às razões pelas quais se come compulsivamente.

Se já tentou diferentes opções de auto-ajuda mas mesmo assim não consegue controlar a sua fome emocional, a ajuda de um profissional na área poderá ser uma possibilidade. A terapia ajuda a identificar as motivações da fome emocional e a aprender novas capacidades para enfrentar situações stressantes sem recorrer à comida.

A perspectiva da nutrição

Pois bem, já todos passámos por momentos em que nos descontrolámos, comemos demais, não um prato de comida que estava ótima, mas um pacote de bolachas ou outro consumo irracional por estarmos nervosos, tristes, ansiosos… Destacamos que não pretendemos abordar as doenças do comportamento alimentar, como a anorexia ou bulimia nervosas, mas sim, alterações do comportamento, habitualmente momentâneas e sem recurso a estratégias de compensação (ex. indução do vómito).

Eis 8 estratégias para controlar os impulsos emocionais por comida:

Em conclusão

Estas são 8 estratégias  que nos ajudam a pôr termo a um comportamento indesejado.

A alimentação emocional é uma prática comum na nossa sociedade devido aos altos níveis de stress e exigência a que estamos sujeitos. É fundamental que não se restrinja demasiado para evitar episódios compulsivos.

Procure um profissional de saúde que o ajude a compreender e a ultrapassar esses momentos. Não se conforme.

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