Stress & gravidez

Setembro

O 9ºmês do ano caminha a bom ritmo, tal como os 9 meses de gestação.

Este mês celebramos a Gravidez e a Natalidade, criando novos conteúdos com e publicando semanalmente receitas inovadoras e práticas!

Se pensa engravidar ou está gestante não pode perder este mês de publicações, porque estar grávida é uma bênção mas também uma enorme responsabilidade!

Hoje falamos sobre o impacto que o stress tem no outcome da gestação:

O que é o Stress?

Definição de Stress

A nível fisiológico, o conceito de stress relaciona-se com a estratégia de adaptação do nosso organismo, devido a influências, mudanças, exigências e constrangimentos que possam surgir. Está sempre patente no nosso organismo um certo nível de stress, havendo contudo variações no seu grau. É de salientar que o distress não reside no facto do organismo reagir ao stress, mas sim no grau, frequência e duração em que este se encontra sob stress. Neste prisma, o stress tem uma conotação negativa. Todavia, os investigadores estabeleceram a distinção entre stress perigoso/nocivo (distress, sofrimento) e positivo/benéfico (eustress). Este último é visto como um mecanismo de adaptação, sendo assim essencial ao processo de vida (Vara, 2007).

Os sintomas de stress podem incluir:

  • Alterações do sono
  • Cefaleias (dores de cabeça)
  • Dispneia (respiração acelerada)
  • Hipertensão arterial
  • Pensamentos obsessivos
  • Perturbações do comportamento alimentar, etc

A gravidez tem tudo para ser uma fase naturalmente stressante:

  • se a gravidez foi ou não planeada,
  • se já teve experiências negativas com gravidezes anteriores,
  • se achar que não tem recursos (sejam eles emocionais, psicológicos, económicos) para lidar com a vinda de um bebé,
  • e stress provocado pela vida pessoal e profissional.

Consequências do Stress pré e pós-natal

A influência do stress no feto começa mesmo antes do seu nascimento e pode manifestar-se ao longo de toda a sua vida:

Sabe-se que a experiência precoce adversa, incluindo o stress psicossocial materno pré-natal, pode influenciar negativamente o desenvolvimento fetal através de mecanismos fisiológicos e comportamentais, com consequências adversas para a saúde mental e física, o bem-estar e o envelhecimento do bebé ao longo de toda a vida.

Desde logo porque a elevada exposição a stress in-utero se relaciona com prematuridade. Este efeito é mediado, em parte, pelo eixo neuroendócrino materno-placentário-fetal, mais especificamente pela hormona libertadora de corticotrofina placentária (CRH), responsável por estimular a produção de Cortisol – a “hormona do stress”.

Poderá ter interesse em…

“Stress & Açúcar”

Também a maturação neurológica do feto parece ser grandemente afetada pelo stress durante a gestação: 

O ambiente materno exerce uma influência significativa no sistema nervoso autónomo fetal e nos processos do sistema nervoso central relacionados ao reconhecimento, memória e habituação.

Mas não é tudo! A influência do stress pré-natal no feto em desenvolvimento pode persistir após o nascimento, de acordo com pesquisas que avaliam o temperamento e reatividade comportamental nos primeiros 3 anos de vida pós-natal (The Maternal Brain, 2001)

Disfunção Metabólica e Risco de Obesidade - Cortisol

Tal como foi explicado, o stress continuado pode aumentar cronicamente o cortisol sanguíneo da mãe. Este, por sua vez, atravessa a placenta e chega até ao feto, tendo várias consequências a nível metabólico:

  • Aumento das enzimas hepáticas relacionadas com a gliconeogénese e lipogénese, aumentando a probabilidade de resistência à insulina e doenças metabólicas;
  • No rim, altera a expressão génica (no gene recetor de glicocorticóides) que aumenta a retenção de água e sódio, o que pode resultar em aumento da pressão arterial, quando adulto;
  • Disrupção no eixo hipotálamo-hipófise-glândulas suprarrenais que gera a produção de cortisol, provocando alterações no hipocampo, podendo aumentar a probabilidade de disfunções psicocognitivas;
  • Aumento da imunossupressão da mãe, diminuindo a produção de substâncias imunomoduladoras pela medula óssea, tornando-a mais suscetível a infeções por vírus ou bactérias.
Stress in-utero e aumento do risco de obesidade e disfunção metabólica. Curr Opin Clin Nutr Metab Care. 2013 May; 16(3): 320–327.

O que fazer para reduzir o stress na gravidez?

  • Preste atenção a gatilhos para situações de stress e evite-os (incluindo a privação de alimentos na gravidez);
  • Tente não colocar demasiada pressão sobre si própria;
  • Adote uma atividade que a relaxe durante esta fase: como yoga, meditação, massagem;
  • Pratique atividade física (desde que autorizada pelo seu profissional de saúde e devidamente acompanhada);
  • Descanse: as horas de sono em quantidade e qualidade são fundamentais para a regulação hormonal;
  • Conte com o apoio de familiares, amigos para a aliviar de certas tarefas que poderão ser feitas por outros;
  • Se sentir que será uma mais-valia, tente falar com o seu empregador para reduzir a carga de trabalho nesta fase ou o horário/modalidade em que trabalha (por exemplo, ficar alguns dias em teletrabalho);
  • Fale com o seu médico e procure ajuda de um psicólogo.

Em conclusão...

Não se esqueça que, para além de uma alimentação e de um estilo de vida saudáveis, cuidar da sua saúde mental é muito importante nesta fase e deve ser uma prioridade para a gestação e futuro do seu bebé!

Do que espera para começar a planear a sua gravidez com o Diário de uma Dietista?