Proteína na Infância

Estamos a terminar junho “O mês da Criança”, mas ainda nos falta abordar um tema muito importante!

Com a diabolização dos hidratos de carbono e o endeusamento da proteína nos produtos para adultos, quisemos alertar para as consequências do consumo proteico inadequado logo desde o nascimento! Vale a pena ler este artigo.

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A moda da Proteína = Perigo?

O que é a Proteína?

A proteína é um macronutriente cuja principal função é estrutural, sendo utilizada para a construção, manutenção e reparação celular e tecidular. Para além disso, é essencial para o sistema imunológico e para a síntese hormonal e enzimática.

As proteína são compostas por conjuntos de subunidades: os aminoácidos. O tipo e organização dos aminoácidos determina a qualidade dessa mesma proteína.

Apesar do corpo humano conseguir sintetizar 12 tipos de aminoácidos, há 8 que não consegue e por isso são chamados de aminoácidos essenciais (fenilalanina, leucina, isoleucina, lisina, metionina, treonina, triptofano e valina) sendo que estes têm obrigatoriamente de ser fornecidos pela alimentação.

As proteínas de origem animal são completas (isto é, compostas por todos os aminoácidos) e por isso são chamadas de proteínas de alto valor biológico.

As principais fontes alimentares de proteína são:

  • Produtos de origem animal: carne, pescado, ovos, leite e derivados
  • Produtos de origem vegetal: leguminosas – como o grão, feijão, ervilhas, lentilhas; frutos gordos – como as nozes, amêndoas, cajus; e cereais; cereais integrais – quinoa, arroz integral, aveia…
  • Produtos enriquecidos: pão proteico, iogurtes proteicos, barras, batidos whey…

Recomendações Nutricionais

Segundo a Roda dos Alimentos portuguesa, as recomendações de porções dos grupos alimentares fornecedores de proteína para as crianças são as seguintes:

1 porção fornece em média 8g e corresponde a:

  • 1 chávena almoçadeira de leite (250 ml)
  • 1 iogurte líquido ou 1 e ½ iogurte sólido (200g)
  • 2 fatias finas de queijo (40g)
  • ¼ de queijo fresco (50g)
  • ½ requeijão (100g)

1 porção fornece em média 6g proteína e corresponde a:

  • carne/pescado cru (30g)
  • 1 ovo (55g)

1 porção fornece em média 6g proteína e corresponde a:

  • 3 colheres de sopa de leguminosas secas/frescas cozinhadas (80g)

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Tudo sobre leguminosas

As recomendações proteicas para as crianças dependem do sexo, da idade e peso corporal, mas em média, são as seguintes:

Recomendações proteicas entre os 6 meses e os 18 anos (EFSA, 2012)

Necessárias mas não em excesso!

Já há alguns anos que se conhecem os possíveis efeitos adversos do excesso de proteína para a criança, logo desde o nascimento. Tudo começou pela comparação entre os lactentes alimentados por fórmula infantil  “versus” os em amamentação exclusiva:

Considerando o leite de vaca como a matéria-prima para a produção da maioria das fórmulas infantis, observa-se uma similaridade grosseira entre este e o leite materno no que respeita ao valor energético, mas o leite de vaca apresenta mais do dobro da proteína e cerca de metade do teor em hidratos de carbono. Foi demonstrado que a ingestão excessiva de proteína das fórmulas infantis, nos primeiros meses de vida, é um fator independente de excesso de peso e obesidade aos 2 anos de idade, efeito que persiste até à idade escolar.

Manual DGS: Alimentação Saudável dos 0-6anos

Mas não é só nos lactentes que o excesso de proteína preocupa:

Apesar das recomendações, o estudo Geração XXI que acompanha crianças portuguesas conclui que estas consomem mais proteína do que a que precisam!

O excesso de consumo de proteína em idade pré-escolar (especialmente nos rapazes) está associado a um IMC – índice de massa corporal (relação entre o peso e a altura) mais elevado, bem como a uma maior adiposidade (massa gorda) e a níveis superiores de insulina em crianças mais velhas. Tendo em conta que a idade pré-escolar é fundamental para estabelecer hábitos alimentares que perdurarão ao longo do tempo, torna-se essencial focarmo-nos nesta janela temporal de oportunidade!

Por outro lado, um consumo insuficiente de proteína, poderá conduzir à desnutrição calórico-proteica: esta poderá assumir a forma da doença Kwashiorkor (caracterizada por edema) ou marasmo, condições mais prevalentes em países em desenvolvimento, por escassez de alimentos.

Ainda assim, devemos estar atentos a sinais de défice proteico nas crianças, especialmente quando apresentam dificuldade de mastigação ou fobia/rejeição a este grupo alimentar: 

  • Diminuição de desenvolvimento muscular ou da taxa de crescimento;
  • Dificuldades na cicatrização de feridas;
  • Fadiga;
  • Baixa capacidade de concentração;
  • Anemia;
  • Dores articulares. 

O consumo de proteína é essencial para a realização de um sem-número de funções biológicas, pelo que estar informado sobre as recomendações diárias e os possíveis sinais e sintomas de excesso ou deficiência deste nutriente é crucial para acompanhar o desenvolvimento das suas crianças.

Conte com o Diário de uma Dietista para o ajudar neste caminho que é a Educação Nutricional, logo desde o ventre!

JUNHO