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5 Mitos das “Dietas”

Como vai caro leitor?
É muito comum  haver preconceitos acerta do que “é bom para a dieta”, ou seja, para emagrecer. Contudo, a nutrição está longe de ser uma ciência exata e o que é verdade hoje, será contestado amanhã. Reunimos 5 mitos comuns, associados à ideia de emagrecimento atual. Surpreenda-se:

Mito #1 – Para emagrecer não se pode comer pão

O pão é um alimento típico da cultura portuguesa. Há quem não passe sem ele e empreenda autênticos sacrifícios para o deixar de lado em certas dietas.

Saiba que num plano alimentar equilibrado, há lugar para todos os nutrientes, incluindo os hidratos de carbono complexos que constituem o pão. Contudo, há que saber escolher! Sendo um alimento com algum processamento, já que inclui vários ingredientes, existem pães mais e menos saudáveis. Os mais processados, habitualmente, fatiados e embalados, podem conter inúmeros E’s, gordura, sal e até açúcar. Assim, reunimos algumas regras para que faça uma boa escolha:

  • Leia a lista de ingredientes e escolha a menor! Por exemplo: Farinha, água, sal e fermento biológico
  • Evite escolher o pão com base nas designações da embalagem como “integral / 7 cereais / rico em fibra / proteico /sementes”, pois, ainda assim, podem conter gordura e açúcar.
  • Escolha um pão com validade curta. Quanto maior a validade, maior a quantidade de E’s! Opte por manter o pão congelado e descongele apenas à medida de que consome.
  • Faça o seu próprio pão! Sugerimos algumas receitas que já publicamos: Receita 1, receita 2, receita 3 ; receita 4
  • Escolha um pão escuro e denso, quer isto dizer, que deve ter farinhas integrais e conter pouco fermento. Este último pode causar sintomas de intolerância para alguma pessoas, como inchaço, azia e flatulência. Quanto menos fermentado for o pão melhor para o nosso intestino. Devemos ainda preferir fermento biológico (levedura) em vez de químico (bicarbonato de sódio)

Saiba mais em O pão engorda?

Artigo complementar: Guarnições (diferentes) para pão


 

Mito #2 – O chá verde emagrece

O chá verde suscita opiniões diversas no público e mesmo na ciência. Devido às suas propriedades estimulantes tem sido publicitado como uma ajuda ao emagrecimento. Em oposição, já existem diversas correntes “healthy” totalmente anti-chá verde! Em que é que ficamos?
É inegável que o chá verde contém catequinas com um forte potencial antioxidante. Contudo, estas são substâncias da família da cafeína, tendo em comum os mesmos efeitos secundários, como:

  •    Taquicardia, insónia, ansiedade, irritação da mucosa gástrica, pode interagir com medicamentos, causar hipertensão e provocar retenção de líquidos.

Se o chá verde emagrecesse, assim como o café, não haveria tanta obesidade no mundo. A única propriedade cientificamente comprovada do chá verde é a sua capacidade antioxidante, principalmente a nível da proteção cardiovascular.
De facto, o chá verde aumenta o ritmo cardíaco e pode-se considerar um termogénico (substância que aumenta o gasto energético celular). Contudo, este aumento é residual e não observado em todas as pessoas, com a mesma dose de chá.

Em conclusão, prefira a água pura ao longo do dia e beba chás estimulantes com moderação (2 chávenas por dia)

Saiba mais em: Chá ou Infusão?


 

Mito #3 – É possível emagrecer só com dieta

Sim, é possível, mas muito menos do que se conjugar a alimentação com exercício. Se basear o seu emagrecimento apenas em restrição alimentar, esta terá de ser muito maior do que se aumentar o dispêndio energético, que é como quem diz, as calorias

que o seu metabolismo gasta. Por outro lado, quanto maior a restrição calórica, mais provável é que o seu corpo se adapte a ela, ativando “os genes da sobrevivência“, que fazem uma coisa simples: reduzem a energia necessária para viver, ou Metabolismo Basal. Significa isto que você não come, mas o seu corpo também não gasta. É isto que acontece quando volta a fazer a dieta que “no verão passado” resultou tão bem e este verão não a faz perder nem 1 grama!

Se quer realmente emagrecer (gastar gordura), tem de ativar o seu metabolismo! Como: Alimentação adequada ao seu corpo, descanso/sono e exercício.

Artigos recomendados:


 

Mito #4 – Para emagrecer é preciso tomar suplementos

Felizmente que não! Pode contra-argumentar-se “Ah! Mas ajudam!”, também parece que não!

Existem alguns medicamentos que são usados por médicos em tratamentos de emagrecimento, como os estimuladores da produção de insulina e de hormonas da tiróide, os diuréticos, os laxantes e os antidepressivos – tudo junto são os famosos “manipulados”, pagos a peso de ouro. Sim, com eles irá emagrecer, pois está a  obrigar o seu corpo a funcionar de determinada forma, mas sabe que assim que os deixar o seu corpo não continuará a funcionar assim e recuperará o peso, a não ser que seja mesmo muito controlado com alimentação e treino (ou que tome a medicação para sempre…).

Outro aspeto que deve ponderar é: que efeitos esses medicamentos têm na sua saúde? Diabetes, hipotiroidismo, obstipação crónica e depressão, não são raros após a toma destes cocktails mágicos de emagrecimento.

E quanto aos suplementos alimentares? os “naturais”? O que podemos afirmar é que são uma industria milionária e em crescimento! Portanto, não faltam consumidores. Mas serão eficazes? Até agora não se estabeleceu relação científica entre nenhum extrato/substância e o emagrecimento. Contudo, é raro estes aparecerem isolados. Aparecem habitualmente conjugados, como é o caso dos drenantes, mas cuja formulação não foi testada cientificamente. Infelizmente os suplementos alimentares não passam pelo sistema de testes como os medicamentos, em vez disso tão tratados como “alimentos” e tutelados em Portugal pelo Ministério da Agricultura e Pescas, acredita? Pois bem, desta forma, não sabemos os seus verdadeiros efeitos para a nossa saúde, podem ser ótimos e muito eficazes em alguns casos e noutro consumidor fazer uma reação adversa grave, como uma alergia ou interação com medicamentos. Há que estar bastante atento! Por ser “natural” não é inócuo!

Lembre-se sempre que:
Tomar um suplemento alimentar não é a mesma coisa que beber água. Os suplementos, sejam extratos naturais de plantas ou substancias isoladas, interagem com o nosso organismo, com a medicação, com a alimentação e até mesmo entre eles.

Não podemos esquecer que a farmacologia teve a sua génese no uso de plantas e substancias naturais. Ainda hoje se usam chás e infusões no tratamento de problemas de saúde (ex constipação, infecção urinária, pedra nos rins, etc).
De facto, “tudo o que é demais, é conta errada”. Portanto, antes de tomar seja o que for fale com um profissional de saúde. Não se limite a ser aconselhado por um lojista, já que os suplementos são de venda livre (farmácias, dietéticas, ginásios, spas, supermercados, etc). Mesmo assim, esteja atento aos sinais do seu organismo, pois qualquer substância pode ter uma reação inesperada no nosso corpo.

Vamos dar um exemplo clássico:

  • As gordura ómega-3. Conhecidas pelo seu potencial hipo-tensor, hipo-colesterolemiante, anti-inflamatório, protetor do sistema nervoso, do coração e da pele, etc… Este bem-feitor interage com medicamentos coagulantes. E em pessoas saudáveis, quando em excesso, dificulta a coagulação e a cicatrização (efeito pró hemorrágico).

«O uso apropriado de alguns suplementos é perfeitamente seguro e pode trazer benefícios, mas o seu uso indiscriminado ou excessivo pode ser perigoso. Importa assim concluir que apenas os suplementos com eficácia bem estabelecida devem ser prescritos e que a legislação aplicável aos suplementos pode, nalguns casos, não ser suficiente.»

In Alimentação Humana; Durao CR 2008.

Para saber mais sobre suplementos alimentares leia atentamente este artigo: SUPLEMENTOS ALIMENTARES – LEGISLAR É SUFICIENTE?


 

Mito #5 – Para emagrecer temos de restringir os “hidratos de carbono”

Os alimentos ricos em hidratos de carbono são maioritariamente “energéticos”. Significa isto que deles se irá obter açúcar (energia) que, ou é gasta, ou é acumulada sob a forma de gordura. As dietas com restrição deste macronutriente têm-se mantido na “moda” pela sua rápida eficácia, ou seja, assim que “corta” estes alimentos, vê o peso a descer. Ainda assim, comparando esta abordagem nutricional com outras, como a hipolipídica (restrição de gordura), não parece haver diferenças a longo prazo.

Artigos recomendados:

A verdade é que vivemos “num mundo” cheio de hidratos de carbono: pão, bolachas, bolos, cereais, sumos, arroz, batatas, doces, fruta… estamos rodeados de energia de tão fácil acesso! Mas mexemo-nos cada vez menos… É tão fácil consumir, mas tão difícil gastar! Portanto, há de facto vantagem em reduzir os alimentos ricos em hidratos de carbono, mas não a ponto de deixar de comer frutas, vegetais e cereais integrais. Estes são os que deve manter! Para quê? Para manter o seu metabolismo ativo, para manter a regulação hormonal, para manter os níveis de energia, para descansar, para controlar os “impulsos alimentares”. Significa isto que deve “cortar” todas as fontes de hidratos de carbono não saudáveis, ou deixá-las para “os dias de festa”, como bolos, bolachas e doces, mas no seu dia-a-dia, adequar as quantidade de alimentos com hidratos de carbono saudáveis, como cereais integrais, fruta, vegetais, tubérculos e leguminosas. Pode não  perder tanto peso de uma vez, mas com certeza que no futuro irá manter os seus resultados com mais facilidade, pois aprendeu a comer!

Chamamos ainda a sua atenção para a nossa individualidade, significa isto que, cada pessoa precisa “da sua dose diária” de hidratos de carbono saudáveis. Por exemplo, pode haver metabolismos que tolerem comer pão de manhã e à tarde, mas outros em que “o da tarde” já será desnecessário. É isso que iremos averiguar no acompanhamento semanal/quinzenal nas consultas de nutrição.

Leia o artigo: Por que não deve “cortar” nos hidratos de carbono

5 Mitos das “Dietas”

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