De comportamento a hábito!

Caro leitor, hoje irá ler sobre um assunto mais técnico, mas de importância acrescida: 

A relação entre saúde, e comportamento alimentar.

A ideia de que a saúde é um bem cuja manutenção depende do comportamento e empenho de cada um está cada vez mais disseminada.

A compreensão deste princípio não é, no entanto, condição suficiente para que muitas pessoas assumam a sua cota parte de responsabilidade na defesa da sua saúde.

Hábitos que uma vez adquiridos só dificilmente se alterarão, estão associados a um número crescente de doenças, cujo tratamento implica a adoção de novos comportamentos no que se refere ao adulto e, especialmente, à criança.

"Má" alimentação é falta de informação?

Entre hábitos e comportamentos promotores da saúde e, portanto, preventivos da doença contam-se, com especial impacto, os hábitos alimentares:

 Uma alimentação racional, que tenha em conta as necessidades do organismo e as propriedades preventivas de alguns nutrientes, é hoje, um aspeto determinante de um estilo de vida saudável para as pessoas de diferentes grupos etários e, em muitos casos, um cuidado imprescindível em grupos com patologia crónica ou aguda, como sucede na diabetes.

Contudo, escolher uma alimentação saudável não depende apenas do acesso a uma informação nutricional adequada:  

A seleção de alimentos...

varia de acordo com as preferências, com o prazer associado ao sabor dos alimentos, com as atitudes aprendidas desde muito cedo na família, e com outros factores psicológicos e sociais.

É necessário, portanto, compreender o processo de ingestão do ponto de vista psicológico e sociocultural e conhecer as atitudes, crenças e outros fatores psicossociais que influenciam este processo de decisão. Só assim se conseguirá pôr em prática medidas eficazes de educação para a saúde, melhorar hábitos e mudar comportamentos. 

Como mudar o estilo de vida?

As mudanças no estilo de vida são difíceis de conseguir dada as interações deste com diversos outros aspetos do quotidiano e da vida urbana como seja:

  • falta de tempo,
  • falta de tranquilidade,
  • ansiedade,
  • difícil acesso a padrões de comportamento e de consumo mais satisfatórios do ponto de vista da saúde.

As dificuldades em alterar os hábitos de vida são manifestas também no que se refere à alimentação. Apesar de serem conhecidas as implicações para a saúde do consumo exagerado de gordura e proteínas animais, ou algumas dietas desequilibradas e deficitárias em nutrientes, alterar os hábitos alimentares é tarefa difícil de conseguir. Mais difícil ainda será manter as mudanças entretanto realizadas. 

É difícil formar novos hábitos!

Adquirir e manter um novo comportamento requer mais esforço do que continuar com os velhos hábitos arreigados e associados a fatores de ordem social e cultural. 

O que determina as escolhar alimentares?

A história pessoal e familiar e ainda o envolvimento cultural, permitem compreender o porquê do desenvolvimento dos hábitos alimentares.

  • O paladar,
  • o preço,
  • o aspeto,
  • a facilidade em preparar,
  • a publicidade, etc.

Estes fatores influenciam mais as escolhas alimentares do que o conhecimento das consequências na saúde!

O que condiciona as escolhas alimentares?

Numa investigação realizada recentemente nos países da União Europeia, os autores verificaram que os fatores que mais influenciavam os consumidores eram, por ordem decrescente: a «qualidade e frescura», o «preço», o «paladar», o desejo de uma «alimentação mais saudável» e as «preferências familiares».

Barreiras à alimentação Saudável

Estudando as barreiras a uma alimentação saudável, os autores concluíram que a falta de tempo, o desejo de continuar a consumir os alimentos preferidos, a falta de vontade e o preço, eram os principais obstáculos. Uma alimentação saudável não era vista como uma alternativa fácil, ou atrativa, à dieta praticada.
Fonte

Assim, conclui-se que a maioria das pessoas seleciona os alimentos tendo em conta critérios que não estão relacionados com a saúde: Antes de mais será o paladar, o custo, a influência dos parceiros e amigos, a publicidade, a embalagem e a disposição nas prateleiras das lojas, que determinará as preferências alimentares!

Diversos fatores de ordem psicológica e psicossocial, como falta de motivação, influências sociais, crenças e sentimentos de baixa auto-eficácia, também contribuem para dificultar as mudanças no estilo de vida e nomeadamente dos hábitos alimentares.

A seleção de alimentos parece depender mais  do que de necessidades fisiológicas.

Deste modo, pode dizer-se que o comportamento alimentar resulta da interação de fatores ambientais com variáveis psicológicas e biológicas.

Assim, a intenção ou compromisso em alterar os hábitos alimentares (deixar de consumir ou passar a preferir um determinado alimento ou grupos de alimentos) poderá ser influenciada por: 

  • Ocorrência de doença ou sintoma inesperado no próprio, num familiar ou amigo;
  • Informação obtida através de um técnico de saúde, amigos, familiares ou meios de comunicação;
  • Atitudes face ao alimento;
  • Reforço social proporcionado pelo novo comportamento.

Em conclusão...

A relação entre saúde, hábitos e comportamento alimentar é deveras intrincada.

Hoje sabe-se que a promoção da saúde e prevenção da doença depende do estilo de vida, pelo qual cada um de nós é responsável.

Lembre-se que é responsável pelo seu comportamento, pelas suas escolhas e, em último caso, pelas suas consequências (ex. “ficar doente” com diabetes, obesidade, colesterol alto, etc).

Deste modo, e simplificando, sabe-se que não estamos predispostos a “comer saudável” , mas sim a “comer saboroso”! Contudo, cada um de nós é responsável pelo equilíbrio entre estes dois pressupostos, de modo a nos mantermos saudáveis o máximo de anos possível.

Pratique a saúde e não dieta!