Boas festas!

Caro leitor,

faltam poucas horas do Natal, já comprou o bolo-rei e ensaiou as rabanadas? Tem todos os presente para os seus mais queridos?

Já vamos à nutrição… relembremos primeiro o que é o espírito de Natal.

O Espírito do Natal

O Natal representa para os Cristãos o nascimento de Jesus: natal, natalidade, nascimento. Por isso se celebra com a consoada, um banquete com comida "especial", para assinalar um dia "especial". Trocam-se presentes com os mais queridos, como fizeram os reis magos, trazendo incenso, mirra e ouro ao menino Jesus. Os presentes simbolizam o apreço que temos pelo outro. Portanto o Natal significa a reunião da família, dos amigos, a troca de afetos e de lembranças.

Agora olhemos à nossa volta, o que vemos? Sinceramente, e este é um desabafo pessoal, estes dias antes do Natal muito se parecem com a Black Friday, o dia-rei do consumismo. Atenção, que em nada condeno dias como esse, dão imenso jeito para quem quer comprar aquele artigo que nunca tem promoção! Mas no Natal? assusta ir a qualquer lado e ver carrinhos de brinquedos, comida e outros “artigos” isentos de significado. Claro que a economia tem de andar e que os supermercados estão cheios de bolos-rei desde outubro, e que significado tem ele nessa época? Um bolo-rei em outubro é como um coelho da Páscoa em junho… Zero significado, apenas consumo.

Há dias partilhámos uma imagem no nosso facebook que resumia o valor calórico de alguns bombons mais comuns, com o único objetivo de alertar e consciencializar (por ser pequeno não é água). Somos bombardeados com eles em pirâmides no supermercado, no trabalho, nas pastelarias… A maioria das pessoas surpreendeu-se com a publicação e comentou, mas algumas pessoas acharam que a publicação era infeliz, extremista, que apelava à culpa, já que no Natal “não nos devemos preocupar com nada e sim aproveitar”.  

Pelo que anteriormente expliquei, em muito este pensamento ultrapassa o espírito da época. O Natal não é a Black Friday da comida, são dois dias de reunião, comunhão e afetos. Bem sei que começam muito antes os “jantares de Natal” com colegas e amigos, que tão bem nos fazem. Estes sim integram o espírito do Natal, não aquela caixa de bombons que comemos a semana passada, só porque estavam em promoção e é quase Natal.

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O que aconselhamos aos nossos pacientes em consulta e aos nossos leitores é simples: 

O Natal é uma reunião em que se celebra o amor e a partilha através da alimentação e da troca de presentes. Contudo, não é por estar disponível que tem de comer tudo o que está na mesa.

Respeite-se. Valorize as sensações que o seu corpo lhe dá. Se já está satisfeito, porquê continuar a comer? Pode ficar à mesa a conviver, sem comer. Faça uma chávena de chá e acompanhe a família à mesa.

Se não adoro sobremesas, não tem de comer só porque é Natal, ou qualquer outro alimento/ bebida.

Se quer provar um pouco de tudo, sirva pequenas porções, começando pelos alimentos mais saudáveis! Não só comerá menos de cada um, como terá menos tendência a repetir.

Tenha um Natal ativo! Levante-se da mesa, brinque com as crianças, ajude a servir/recolher a loiça, cante, dance…

Pois é. Além da consoada de dia 24, o dia de Natal são 24h! Não uma semana até acabar as sobras. O grande segredo de ter um Natal equilibrado é saber parar de comer a partir de dia 26.

O Natal é uma celebração dos afetos, não um momento para “comer-à-vontade”. 

Coma descontraidamente, sem valorizar os alimentos em mais ou menos calóricos, mas com consciência do prazer que lhe dão, quando partilhados com os que o rodeiam.