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Entenda e trate a Prisão de Ventre

Como vai caro leitor?

Hoje voltamos a mais um artigo sobre o intestino, um órgão cuja importância tem sido reconhecida nos últimos tempos. Apelidou-se até de “2º cérebro”, por se conhecer a sua capacidade de influenciar vários sistemas, como a produção de hormonas e a modelação do sistema imunitário.

Veja a reportagem RTP de julho 2017 Cérebro intestinal: emoções, neurónios e intestino

Recomendamos também a leitura do nosso artigo Flora intestinal, laxantes e disbiose


Definição de prisão de ventre ou obstipação:

O funcionamento do intestino varia muito não só de pessoa para pessoa, mas também num mesmo indivíduo em diferentes momentos. Pode ser afetado pela alimentação, pelo stress, pelos fármacos, pelas doenças e até pelos padrões sociais e culturais. Na maioria das sociedades ocidentais, o número normal de evacuações varia entre duas e três por semana até duas a três por dia. As alterações na frequência, consistência ou volume das evacuações ou a presença de sangue, muco, pus ou um excesso de gordura nas fezes podem indicar uma doença.

Considera-se como obstipação a ocorrência de evacuações incómodas ou pouco frequentes.

Uma pessoa com prisão de ventre produz fezes duras que podem ser difíceis de expulsar. Também pode ter a sensação de que o reto não fica totalmente vazio. A prisão de ventre aguda começa de forma repentina e a pessoa dá-se claramente conta disso. A crónica, por outro lado, pode começar de forma subtil e persistir durante meses ou anos, por forma a que a pessoa “aprenda a viver com isso”, sem ter queixas.

Muitas vezes a causa da prisão de ventre aguda não é mais
do que uma alteração recente na alimentação ou uma redução na atividade física (por exemplo, quando uma pessoa fica acamada durante 1 ou 2 dias por estar doente).

Muitos fármacos, por exemplo o hidróxido de alumínio (princípio ativo comum dos antiácidos de venda livre), os sais de bismuto, os sais de ferro, os anticolinérgicos, os anti-hipertensores, os opiáceos e muitos tranquilizantes e sedativos, podem provocar prisão de ventre.

São causas frequentes da prisão de ventre crónica:

  1. Ambientais: uma escassa atividade física e uma alimentação pobre em fibra.
  2. Endócrinas: hipotiroidismo, valores altos de cálcio no sangue. Leia O que é o Hipotiroidismo?
  3. Secundárias a doenças: Ex. à doença de Parkinson.
  4. Alteração da motilidade: uma diminuição das contrações do intestino grosso (cólon inativo) e das contrações concomitantes com a defecação, por uso excessivo de laxantes, por consequência de cirurgias ou outra.
  5. Fatores psicológicos: stress, ansiedade e depressão.

 

Tratamento nutricional da obstipação

Inicialmente é essencial  que se detete a génese e/ou causa da obstipação. Por exemplo, um dos primeiro passos consiste na restrição total da lactose (veja o artigo sobre intolerância à lactose) e do glúten, dois dos agressores principais do intestino, durante pelo menos 7 dias. 

Após esse período faz-se a re-introdução a fim de comparar os sintomas “Com e Sem”. Caso haja melhoria significativa da evacuação, dos gases, da distensão abdominal e até da retenção de líquidos, então procede-se ao teste sanguíneo para confirmação do resultado.

Para além disso é essencial que se faça a correção dos hábitos alimentares, privilegiando o equilíbrio entre os vários tipos de fibras (veja o artigo Fibras & Obstipação), o fracionamento das refeições ao longo do dia, o consumo adequado de água e a restrição de açúcares, picantes, gorduras, álcool, ácidos e fermentos. Também o exercício tem um papel fundamental no tratamento da obstipação, já que o intestino depende de movimentos para formar e expulsar o bolo fecal.

Em termos dietéticos, os principais erros e mitos associados à obstipação são:

  • Os vegetais auxiliam o trânsito intestinal. Na realidade, nem todos! Os de folha muito escura, ricos em ferro e os que são muito rijos, formam bolos fecais secos e duros!
  • Défice de ingestão de água e Inibição de água às refeições. Este é um dos principais mitos da nutrição. Até um copo (200ml) de água/chá auxilia a digestão e promove um bolo alimentar mais pastoso e mole!
  • A toma de chá de Sene ou Sena. O sene é extremamente irritante e desgastante para a mucosa do intestino, matando a flora intestinal e causando habituação. Por ser em chá não é menos agressivo do que em comprimido.

 

Alimentos que auxiliam o trânsito intestinal: 

13 medidas simples que estimulam o trânsito intestinal:
  1. Ingerir 1 copo de água morna em jejum.
  2. Introduzir 1 a 2 colheres de sopa de sementes de chia ou de linhaça moída todos os dias.
  3. Garantir consumo de água ou infusões, distribuída ao longo do dia, nunca inferior a 1,5 litros.
  4. Consumir vegetais às principais refeições, diversificando-os, crus, cozinhados ou em sopa.
  5. Consumir 2 a 3 porções de fruta, diversificando-a.
  6. Restringir a lactose, através da substituição do leite e seus derivados.
  7. Demolhar 2 ameixas secas em 200ml de água bem quente. Consumir passados 10 minutos ao deitar.
  8. Preferir cereais integrais, ricos em fibra, como aveia, centeio, espelta e arroz.
  9. Não restringir demasiado as fontes de hidratos de carbono complexos (ex. arroz, batata, cereais, leguminosas), (mas sim os simples como os açúcares), já que são essenciais à formação de fezes moles (retenção de água).
  10. Evitar alimentos fermentativos em excesso, como couves, brócolos, castanhas, feijão e grão, ou alimentos com excesso de fermento como pão branco e outros produtos de panificação/confeitaria.
  11. Evitar alimentos com muitos aditivos alimentares E’s.
  12. Fracionar a fibra ao longo do dia, nas várias refeições, não basta comer “logo de manhã” e ficar “à espera”.
  13. Limitar o consumo de bebidas alcoólicas que relaxam a musculatura intestinal e diminuem os seus movimentos naturais.

 

Obstipação Psicogénica – um problema comum

A obstipação de origem psicológica é muito comum, dá-se quando pensa que por não ter evacuado hoje então está obstipado! Não é assim! É normal haver alterações transitórias da frequência de evacuação e consistência das fezes. Depende de fatores tão comuns como o stress, o estado emocional, a alimentação, a ingestão de água, a (in)atividade, a toma transitória de medicação, etc.
Tais conceitos errados acerca da prisão de ventre podem conduzir a um tratamento excessivo, sobretudo no que se refere ao uso prolongado de laxativos estimulantes, supositórios irritantes e clisteres. Este tratamento pode danificar gravemente o intestino grosso ou induzir dependência. Evite o uso indiscriminado de laxativos.

Por isso, ESPERE e corrija a alimentação ou o consumo de água, não comece por usar laxativos, o seu intestino agradece!

Entenda e trate a Prisão de Ventre

Tempo de leitura: 5 min

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