Retenção de líquidos

Como vai caro leitor? 
   Com a chegada destes dias mais quentes vamos falar sobre retenção hídrica ou de líquidos. Quem nunca se sentiu especialmente “inchado” num dia de calor como o de hoje? Mesmo quem não sente, ou não está atento, faz alguma retenção dos líquidos que ingere ao longo do dia, podendo variar entra mais 0,5kg a 3kg. Vamos perceber melhor quais os motivos para isto acontecer:

As queixas aparecem em ambos os géneros, mas são mais comuns nas mulheres: edema (inchaço) generalizado, dilatação do abdómen, afrontamento e dificuldade em respirar, dor de cabeça, aumento da pressão arterial, aumento rápido do peso, mãos e pernas inchadas, roupas que ficam apertadas à tarde, micção insuficiente com ingestão de líquidos adequada, entre outras, são as queixas mais comuns de quem é propício a esta condição (não é doença).

Mecanismo de controlo da água corporal

O nosso corpo é dotado de um sistema de controlo da água corporal, por forma a que o balanço hídrico não se altere muito (diferença entre a água ingerida e a água gasta/excretada). O primeiro sinal de que algo se alterou é a sede: quando o balanço hídrico está negativo estimula a ingestão de água, se pelo contrário a hidratação está normal faz-nos não ter sede.Além deste sistema, os rins garantem a eliminação de uma urina mais aquosa e menos concentrada, quando estamos bem hidratados e uma urina mais escura e de menor volume, sempre que as “reservas” de água forem menores. Finalmente, ainda eliminamos um volume médio de 700ml de água em 24 horas através da respiração, sob a forma de vapor, sendo este volume ainda maior nos dias quentes. Bem como as perdas pelo suor e a água gasta reações químicas metabólicas.

Então, se temos mecanismos tão eficazes de regulação da água corporal, o que justifica a retenção de líquidos? vamos averiguar.
 
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O problema...

Algumas doenças podem desregular este sistema aparentemente perfeito e causar uma retenção de líquidos major, como a insuficiência renal. Outras podem causar uma movimentação anormal da água corporal nos seus espaços (intracelular/extracelular), fazendo com que um maior volume de água saia das células e dos vasos sanguíneos, invadindo o espaço extracelular (fora das células), causando um inchaço relativo, como é o caso da insuficiência cardíaca e das doenças crónicas do fígado.Estas doenças são facilmente percebidas pelos pacientes e diagnosticadas pelos médicos. Não há como confundi-las com estados fisiológicos de retenção de líquidos, que geralmente não vêm acompanhados de nenhum outro sintoma, além da sensação de inchaço. São doenças graves e necessitam de tratamento específico.

Mas então, para além das doenças, o que pode causar retenção hídrica?

Na mulher, o ciclo menstrual merece destaque pela amplitude da oscilação hormonal durante o mês: a responsável é a hormona progesterona. Esta causa uma real e fisiológica retenção de líquidos, que ocorre na segunda metade do ciclo menstrual, principalmente na última semana que antecede a menstruação. Esta retenção é sentida na mama, no abdómen e na pélvis. Se a fecundação não ocorrer, há uma rápida queda hormonal e com ela a menstruação, fazendo com que ocorra a eliminação dos líquidos retidos ao longo do tempo (acrescento: com grande sensação de alívio!).

    Por outro lado, existem vários fatores que nos levam a reter líquidos ao longo do dia, ou seja, os líquidos que vamos bebendo não correspondem à  excreção urinária. São exemplo:

  • Temperatura elevada do ambiente;
  • Exposição solar;
  • Pressão atmosférica (viagens de avião/ montanha);
  • Estar muitas horas sentado/ de pé parado;
  • Stress/ nervosismo/ ansiedade;
  •  Excesso de estimulantes (ex. cafeína);
  • Poucas horas de sono;
  • Obstipação (prisão de ventre)
  • Alimentação irregular/ jejum
  • Alimentação rica em sal/ açúcar/ gordura.
  • Açúcar de absorção rápida/ picos de insulina
  • Consumo de álcool;
  • Baixa ingestão de líquidos;
  • Certos medicamentos (ex. antihistamínicos, corticoides, antibióticos, antinflamatórios, contracetivos orais);
  • Tabagismo, etc..

Como gerir esta condição?

Como podemos gerir a tendência para reter líquidos? Todos nós fazemos ligeiras alterações da nossa composição em líquidos pela acumulação destes no espaço extracelular. Ou seja, saem dos vasos sanguíneos e do interior das células e acumulam-se nos espaços entre as mesmas.

  A tendência para retenção é individual e pode variar ao longo do tempo. Normalmente é fisiológica (adaptativa) e não patológica (doença), como a adptação às temperaturas elevadas para arrefecimento do nosso organismo. Ainda assim existem alguns fatores predisponentes como a má circulação e a acumulação de gordura. Por exemplo, quem tem tendência a acumular gordura na perna faz mais retenção de líquidos nessa zona, pois a gordura dificulta a circulação sanguínea, conduzindo a uma certa estase circulatória e assim à saída dos líquidos para fora dos vasos. Outro exemplo, a prisão de ventre estimula uma maior reabsorção de água ao nível do colon e assim à sensação de inchaço central. São vários os exemplos que poderia dar, importa agora referir como podemos minimizar esta tendência. Não combatê-la, pois como foi dito esta é, na maioria dos casos, fisiológica.

  O que vou escrever de seguida é comum nas minhas publicações, pois esta é a chave universal para todos os nossos problemas, desde para a perda de peso, para a prevenção da saúde e até para minimizar a retenção de líquidos:

Para minimizar a retenção hídrica há que regularizar os hábitos alimentares:

 É essencial que coma pouco e frequentemente, ou seja, faça pequenas refeições de 3 em 3 horas.
  • Cozinhe os alimentos poucos condimentados e pouco apurados (sem refogado).
  • Evite o sal e use temperos aromáticos (ervas frescas).
  • Evite o açúcar e os alimentos açucarados. Não é por acaso que temos sede depois de “exagerar” nos doces.
  • Controle a ingestão de bebidas estimulantes (chá verde, chá preto, café, cola, guaraná, redbull, etc).
  • Evite o álcool! Desidrata no momento (efeito diurético), mas posteriormente leva a uma retenção de líquidos por agredir o fígado.
  • Hidrate-se ao longo do dia. Beba aos poucos e ao longo de todo o dia, evitando beber por picos. Quanto mais beber, mais vai excretar.
  • Reforce os alimentos ricos em potássio, mineral que estimula a saída da água do nosso corpo. As maiores fontes são os vegetais e as frutas frescas.
  • Faça uma alimentação rica em fibras para promover o correto trânsito intestinal, comendo cereais integrais e adicionando sementes à sua alimentação.

  O movimento é essencial para favorecer a motilidade do intestino e dos vasos sanguíneos. Ao trabalhar os músculos, estes ajudam na contração dos vasos, facilitando e ativando a circulação do sangue. O mesmo se passa com o intestino, quanto mais se mexer mais promove o peristaltismo intestinal  Se pelo contrário, comer e sentar-se, estes movimentos vão diminuir e o intestino vai ficando “preguiçoso”.  Habitue-se a caminhar um pouco depois de cada refeição, vai facilitar a digestão e o transito intestinal.
Quanto ao tipo de exercício ideal, pode começar pelas chamadas “atividades não programadas” como subir pelas escadas, ir de transportes ou a pé, deixar o carro longe, passear o cão mais vezes, etc. Ou por um exercício programado, como caminhar, nadar, dançar… tudo conta, o importante é mexer-se! Se tem dúvidas qual o melhor exercício para si aconselhe-se com um profissional da área do desporto.

  O equilíbrio mental passa pela gestão do stress e das emoções. De facto, períodos de maior stress e ansiedade levam o nosso corpo a colocar-se “em alerta”, produzindo mais hormonas do stress, que promovem a retenção hídrica: adrenalina, noradrenalina e cortisol. Já antes foi abordado no blogue a importância da mente na saúde (ler o artigo “Psicologia do emagrecimento” parte I e parte II). Se não consegue fazer essa gestão sozinho procure ajuda. Por exemplo recorrendo à psicoterapia. Mas também aprendendo exercícios de relaxamento e medicação.

   Outro ponto importante é a questão do sono. Atualmente sabe-se que poucas horas de sono, sono instável e pouco reparador é um dos principais indutores de stress, da produção das hormonas referidas e assim da retenção de líquidos.

Posto isto: há também as soluções fáceis, como os drenantes de plantas e os fármacos diuréticos. Estes apenas camuflam o problema e alteração a auto-regulação do nosso organismo. Verifica-se até uma certa habituação a estes produtos, havendo necessidade de mudar ou reforçar a dose. Não somos contra a toma de um drenante de plantas sob vigilância de um profissional e por períodos curtos, mas este só faz sentido se fizermos a correta gestão dos pontos 1, 2 e 3 descritos.

Artigo recomendado: Tisanas diuréticas

   Assim sendo e concluindo, a retenção de líquidos é algo com que todos temos de lidar, pois faz parte da auto-regulação do nosso organismo. Quando saudáveis, já dispomos de mecanismos que controlam muito bem o balanço hídrico  Contudo, existem fatores que podem promover ou menorizar esta condução quando aparece. Assim, comece por melhor o seu estilo-de-vida e gerir os fatores que descrevemos, depois verá que a retenção de líquidos tende a diminuir e ser menos incomoda. Se esta for acompanhada de outros sintomas, por favor consulte um médico.