Substitutos da Carne

Dra. Catarina Cachão Bragadeste
Nutricionista, cédula 0402N

Fonte de proteína vegetal: feijão branco, grão-de-bico, lentilhas, espinafres, nozes, cogumelos, ervilhas e tofu

A sustentabilidade é um tema na “ordem do dia”, na qual o consumo alimentar se insere!

Sabemos que a pegada ambiental de uma alimentação vegetariana é metade de um padrão omnívoro.  Contudo, nem sempre as pessoas sabem “pelo quê” substituir a carne/peixe. Hoje vamos dizer-lhe!

Modelo Dupla Pirâmida “Mediterrânnica Vs. Sustentável”

Antes de mais vamos conhecer nutricionalmente a carne:

Quando nos referimos a Carne designamos todos os seus tipos: carne vermelha, carne de aves e carne de peixe ou pescado, ou seja, carne de animais. 

Tabela nutricional detalhada com valores de energia, gorduras, hidratos de carbono, proteínas e micronutrientes
Média de nutrientes por 100g de alimentos cru. Programa Nutrium, tabela da composição dos alimentos portugueses, INSA 2008

Numa perspectiva global podemos afirmar que por 100g de alimento cru, a carne de animais fornece:

  • 15-20g proteína de alto valor biológico (contem todos os aminoácidos essenciais)
  • 3-15g de gordura (dependendo se o animal é gordo, meio-gordo ou magro)
    • A gordura da carne vermelha e de aves é sobretudo saturada, já do pescado é sobretudo insaturada (mais saudável).
  • Isenta de hidratos de carbono
  • Fonte única de vitamina B12 (cobalamina)
  • Fonte mais biodisponivel de ferro, cálcio e zinco.
Assim, quando retiramos a carne da nossa alimentação são estes os nutrientes que devemos monitorizar e/ou suplementar.
Caso mantenha o ovo na alimentação, parte destas preocupações ficam ultrapassadas já que é rico em proteínas de alto valor biológico e contém 30% da dose diária recomendada de B12 em apenas 1 ovo L (70g).
 
Veja no nosso canal YouTube as principais diferenças entre carne e peixe:

O que são proteínas?

As proteínas são os nutrientes responsáveis pelo crescimento, manutenção e reparação das células, sendo ainda dos principais transportadores e sinalizadores (ex. hormonas) do nosso organismo.

Como principais fontes alimentares apresentam-se os produtos lácteos (leite, queijo, iogurte), carne, pescado, ovos e leguminosas verdes e secas (feijão, grão de bico, favas, ervilhas, lentilhas, soja). Legumes, sementes, algas, cogumelos, frutos secos e cereais têm também proporções valorizáveis deste macronutriente.

Lista de fontes de proteína animal e vegetal, incluindo carne, tofu, quinoa e sementes, em infografia do Diário

As proteínas são constituídas por sub-unidades mais pequenas denominadas aminoácidos. Estes podem ser:

  • Aminoácidos não essenciais, quando o nosso organismo é capaz de os sintetizar;
  • Aminoácidos semi-essenciais, quando o nosso corpo é capaz de os sintetizar só em determinadas condições e quantidades;
  • Aminoácidos essenciais que têm de ser fornecidos pela alimentação já que o nosso organismo não os sintetiza.

De acordo com a sua constituição em aminoácidos, podemos dividir as proteínas em 2 grupos:

  • Proteínas de alto valor biológico: contêm todos os aminoácidos essenciais e existem essencialmente em alimentos de origem animal.
  • Proteínas de baixo valor biológico: Não possuem alguns aminoácidos essenciais e existem essencialmente em alimentos de origem vegetal.
Tabela com aminoácidos essenciais, semi-essenciais e não essenciais, incluindo fenilalanina, histidina, leucina
Classificação dos aminoácidos

Fontes vegetais de proteína

Já percebemos que as proteínas existem em todos os seres vivos. Apesar de só o reino animal produzir proteínas completas, esta não é uma razão para evitar reduzir o seu consumo de carne! Consegue facilmente colmatar este facto conjugando várias fontes de proteína vegetal! Vamos saber mais!

Tabela com fontes de proteína vegetal: espinafre, tofu, lentilha, amêndoas e quinoa, porções e valores em gramas
Fontes de proteína vegetal. Nota: xícara = chávena almoçadeira

Como pode verificar, enquanto que a carne fornece cerca de 20g de proteína, as melhores fontes vegetais como as leguminosas fornecem 6-8g por 100g já cozidas.

Deste modo, para favorecer a diversidade dos aminoácidos e assim obter os essenciais, mas também melhorar a digestibilidade da refeição, devemos conjugar várias fontes de proteína vegetal e variá-la.

Algumas conjugações para obter os aminoácidos essenciais são dadas por leguminosas+cereais. Por exemplo:

As receitas vegetarianas beneficiam da conjugação destes com sementes, frutos secos, algas, cogumelos e vegetais variados, para assim obter a maior diversidade possível de nutrientes, que não só a proteína (ex. ferro, cálcio, fósforo). Falaremos deste assunto num próximo artigo.

Assim algumas formas esquemáticas de representarmos uma alimentação sem carne será o prato OU a pirâmide vegetariana:

Diagrama mostra proporções de leguminosas, cereais e raízes, com destaque para legumes verde-escuros na base
Piramide alimentar com cereais integrais, legumes, frutas, oleos vegetais, ovos e doces, com recomendacoes
Num próximo artigo abordaremos as especificidades da alimentação vegetariana relativa a micronutrientes (vitaminas e minerais).

Desta publicação podemos concluir que é seguro retirar a carne da sua alimentação, substituindo-a por uma variedade de alimentos de origem vegetal que se completam a fim de obter os aminoácidos essenciais à vida.

Consulte um nutricionista para fazer esta mudança de hábitos alimentares.

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