Especiarias & Ervas aromáticas

Caro leitor: 
 Num artigo recente falámos sobre as doenças inflamatórias intestinais. 

Nesta abordou-se várias vezes o tema das especiarias por estas serem, maioritariamente, irritantes para a parede do tubo digestivo. Porém, para pessoas que não sofram destas condições, as especiarias são um mundo a descobrir. Estas podem substituir o sal por completo e dar novas cores e sabores à alimentação, para além dos diversos benefícios para a saúde.

Um pouco de história…

    As especiarias fazem parte da história da humanidade. Durante os séculos XIV, XV e XVI os portugueses definiram rotas marítimas orientais, dando a conhecer à Europa estes bens preciosos. De África e Ásia traziam-se sal, açúcar, pimenta, chá, café, canela, açafrão e outras especiarias raras. Actualmente, estas continuam a ter enorme valor, não tanto monetário, mas medicinal!



O que são…

    As especiarias derivam das raízes, casca, botões e frutos das plantas, já as ervas aromáticas são normalmente retiradas das folhas de uma variedade de plantas. 

    Ambas possuem propriedades benéficas para a saúde, que são mantidas durante longos períodos de tempo quando armazenadas convenientemente:
  • Facilitam a digestão
  • Previnem e melhoram infecções respiratórias, urinárias e inflamações reumáticas
  • Reforçam o sistema imunitário
  • Melhoram apetite, insónias, bem como sintomas de constipação ou gripe.

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Valor nutricional

   Por serem usadas em quantidades ínfimas, as especiarias não contribuem para o valor energético da refeição, nem tão pouco para o seu valor nutricional. Não são fonte substancial de nenhum macronutriente, uma vez que a quantidade em que são ingeridas não é significativa. 
  
   Talvez seja mais importante dar atenção especial às suas propriedades medicinais, essas sim, observáveis mesmo em pequenas quantidades de especiaria ou erva, principalmente devido ao elevado teor de antioxidantes, vitaminas, minerais, oligoelementos, polifenóis, entre outros fitoquímicos e biomoléculas.

Propriedades medicinais 

  • Pimenta caiena: é estimulante, termogénica e facilita o emagrecimento. 
  • Açafrão: A ele são atribuídos poderes afrodisíacos, por ser um estimulante. Além disso, auxilia na digestão dos alimentos.
  • Alho: Apresenta efeitos bactericidas; ajuda na prevenção e no combate de alguns tipos de doenças malignas e de doenças cardiovasculares; apresenta um efeito hipo-glicemiante; possui altos teores de zinco e selénio, ambos antioxidantes envolvidos num bom funcionamento do sistema imunitário.
  • Anis-estrelado: Alivia a tosse e problemas digestivos.
  • Canela: É diurética, reduz a glicémia e estimula o sistema nervoso (link).
  • Coentro: É um tónico digestivo e, em grandes quantidades, é uma excelente fonte de vitamina C.
  • Cravinho: É digestivo e anti-espasmódico. Além disso, o óleo de cravo é um potente analgésico.
  • Gengibre: É muito usado contra enjoos, aliviando a sensação de náuseas. Pode ser utilizado em casos de tosse, gripe e asma.
  • Noz-moscada: É estimulante e digestivo.
  • Pimenta-do-reino: É afrodisíaca e aumenta o poder digestivo.
Atualmente, as doenças cardiovasculares, a hipertensão e a obesidade são doenças proeminentes. Neste âmbito, a utilização de ervas aromáticas apresenta os seguintes benefícios: 
  1. Aumenta as secreções digestivas e, como tal, facilita a digestão dos alimentos; 
  2. Reduz a flatulência, ajudando a reduzir os gases intestinais; 
  3. Confere sabores e aromas intensos, permitindo reduzir os teores de sal dos alimentos; 
  4. Favorece a conservação dos alimentos, uma vez que alguns destes condimentos apresentam propriedades anti-fúngicas; 
  5. Algumas ervas apresentam potencial anti-alérgico, quer pelo contacto com a pele, quer pela própria ingestão; 
  6. Oculta a deterioração de alguns alimentos, uma vez que “mascara” o seu sabor original; 
  7. Na confecção reduz-se a necessidade de utilização de sal e gorduras, conferindo sabores, aromas e flavors agradáveis e apetitosos:
Sabe identificar?

Aipo e cogumelo à grega:


 Ingredientes 
  • 8 talos de aipo; 
  • 250 g de cogumelo fresco; 
  • ½ pimento; 
  • 4 cebolas pequenas; 
  • 2 colheres (sopa) de azeite; 
  • ½ chávena (chá) de sumo de limão; 
  • ¼ de chávena (chá) de vinagre; 
  • 2 colheres (sopa) de coentro seco; 
  • 2 dentes de alho; 
  • sal a gosto; 
  • ½ colher (chá) de grãos de pimenta-do-reino; 
  • 1 folha de louro; 
  • ¼ de colher (chá) de tomilho seco. 
 

Modo de preparação

  1. Limpe bem os talos de aipo e raspe-os se necessário, corte-os em tiras de 2 cm; reserve. 
  2. Lave bem os cogumelos, escorra-os e reserve-os. 
  3. Tire a pele do pimento e corte-o em tiras de 2 cm. 
  4. Corte as cebolas em quatro. 
  5. Coloque o azeite numa panela e junte o sumo de limão, o vinagre, o coentro, o alho triturado, o sal, os grãos de pimenta, a folha de louro e o tomilho. 
  6. Leve ao lume e acrescente o aipo, o cogumelo, o pimento e a cebola. 
  7. Tape e deixe cozinhar por 10 minutos, agitando a panela ocasionalmente. 
  8. Transfira a mistura para uma tigela e deixe arrefecer completamente. 
  9. Sirva o prato frio ou à temperatura ambiente.


Escolher, comprar e reservar

    Recomenda-se que as ervas aromáticas de folha sejam compradas o mais perto possível da sua utilização, e em pequenas quantidades, a fim de evitar a sua deterioração. 
    Por sua vez, a aquisição das ervas secas ou especiarias deve ser feita em locais de venda bastante movimentados, de modo a garantir que estas não se encontram nas prateleiras há muito tempo. Deve, ainda, comprar embalagens pequenas, para não haver perda de aroma. 
   O armazenamento deve ser feito em frascos bem fechados e protegidas da luz (armário, gaveta ou outro local escuro) para evitar a deterioração nutricional, de cor ou sabor.
   Se tiver um jardim/ horta pode plantar ou semear, fazendo as suas próprias especiarias e ervas aromáticas. Os exemplos mais fáceis de manter são funcho, alecrim, poejo, louro, malaguetas, piri-piris, coentro, salsa, hortelã, erva-doce,… 



Em conclusão, as especiarias e temperos aromáticos têm sido aconselhados pelas suas propriedades nutricionais e medicinais, estando, 
atualmente, a ponderar-se a sua introdução da roda dos alimentos. Contudo, estas devem ser consumidas com moderação e não estão isentas de causar toxinfecções, intolerâncias ou alergias alimentares.