5 passos para emagrecer na menopausa

Dra. Catarina Cachão Bragadeste
Nutricionista, cédula 0402N

Motivação para superar desculpas e alcançar sucesso na nutrição, com lâmpada aceso

Resumo: descubra como gerir o peso e a gordura abdominal durante a menopausa através de cinco estratégias baseadas na evidência científica, sem dietas restritivas nem comprometer a massa muscular.

Revisto cientificamente · Atualizado em Outubro de 2026

Chegou aos 40 ou 50 anos e sente que o seu corpo já não responde da mesma forma?
A alimentação parece ser a mesma, continua a fazer exercício, mas a gordura começa a acumular-se na região abdominal. Talvez já tenha experimentado reduzir as porções, eliminar hidratos de carbono ou aumentar o exercício, sem obter os resultados esperados.
Esta é uma situação frequente na prática clínica. Mas existe uma explicação mais complexa do que simplesmente ter um “metabolismo lento”.
A menopausa modifica a forma como o organismo distribui gordura e pode influenciar a composição corporal, mesmo quando o peso pouco se altera.
A boa notícia é que estas mudanças não são inevitáveis nem irreversíveis. E a solução não passa necessariamente por comer cada vez menos.

Em resumo

  • O peso não conta toda a história — evidência moderada a elevada. A transição menopáusica está associada a maior acumulação de gordura abdominal e visceral. Avaliar apenas os quilogramas pode esconder alterações metabolicamente importantes.

  • A alimentação e o exercício continuam a funcionar — evidência elevada. Padrões alimentares saudáveis, atividade aeróbia e treino de força são fundamentais para gerir a adiposidade, preservar músculo e melhorar fatores de risco cardiometabólico.

  • As estratégias precisam de ser sustentáveis — evidência elevada para a abordagem comportamental. Sono, sintomas da menopausa, ambiente alimentar, stress e acompanhamento podem influenciar a capacidade de manter novos hábitos.

O que sabemos

A redução progressiva da atividade ovárica modifica a sinalização dos estrogénios e influencia vários tecidos, incluindo o adiposo, o muscular, o fígado e o cérebro.

Ao mesmo tempo, o envelhecimento, a atividade física, a alimentação, o sono e a história clínica continuam a desempenhar um papel importante.

Uma das consequências mais relevantes é a tendência para maior acumulação de gordura na região abdominal, incluindo gordura visceral, que está associada a insulinorresistência, alterações lipídicas e risco cardiometabólico.

Por outro lado, perder peso sem preservar massa muscular pode comprometer a força, a capacidade física e a autonomia a longo prazo.

O objetivo não deve ser apenas pesar menos. Deve ser melhorar a composição corporal e a saúde metabólica, preservando função e qualidade de vida.

É a partir deste princípio que proponho cinco passos.

Aplicação prática: os 5 passos

 

Antes de iniciar mais uma dieta, importa perceber o que realmente precisa de mudar.

O peso e o índice de massa corporal podem ser úteis, mas não permitem distinguir gordura, músculo ou distribuição da adiposidade.

Na menopausa, esta distinção ganha particular importância.

Uma avaliação nutricional pode considerar:

  • Perímetro da cintura: um indicador acessível de adiposidade abdominal e risco cardiometabólico.

  • Composição corporal: gordura total e massa magra, interpretadas de acordo com as limitações do método utilizado.

  • Indicadores metabólicos: pressão arterial, glicemia ou HbA1c e perfil lipídico, quando clinicamente indicados.

  • História clínica: medicamentos, sintomas, doenças associadas, alterações do sono e fase da transição menopáusica.

  • Estilo de vida: alimentação, movimento diário, exercício, stress e relação com a comida.

Nem todas as mulheres precisam de perder peso.

Algumas beneficiam sobretudo de reduzir gordura abdominal. Outras precisam de recuperar força, melhorar qualidade alimentar, controlar fatores de risco ou deixar de alternar períodos de restrição e descontrolo alimentar.

A pergunta inicial não deve ser apenas “quanto peso quero perder?”, mas “o que preciso de melhorar para ter mais saúde?”.

 

Não existe uma dieta universal para a menopausa.

Um estudo publicado em maio de 2026 na JAMA Network Open, envolvendo 38 283 mulheres, analisou a associação entre diferentes padrões alimentares, ganho ponderal e risco de obesidade durante os anos em torno da menopausa.

Os padrões de maior qualidade, incluindo o mediterrânico e os predominantemente vegetais saudáveis, estiveram associados a menor ganho de peso.

Por se tratar de um estudo observacional, não podemos concluir que uma dieta específica impeça causalmente o aumento de peso. Mas os resultados reforçam recomendações nutricionais que já apresentam benefícios cardiometabólicos noutras populações.

O que privilegiar no dia a dia?

  • Hortícolas no almoço e jantar, variando cores e tipos.

  • Fruta inteira, leguminosas e cereais integrais como fontes de fibra e nutrientes.

  • Azeite, frutos oleaginosos e outras fontes de gorduras insaturadas.

  • Fontes de proteína adequadas às necessidades, incluindo peixe, ovos, lacticínios, leguminosas e alternativas nutricionalmente equivalentes.

  • Menor consumo habitual de carnes processadas, bebidas açucaradas e alimentos de baixo valor nutricional.

Se existe excesso de adiposidade e está clinicamente indicada a perda de gordura, poderá ser necessário um défice energético moderado e individualizado.

Mas não é obrigatório eliminar pão, arroz, fruta ou outros alimentos apenas por estar na menopausa.

Uma restrição demasiado agressiva pode dificultar a adesão e aumentar o risco de perda de massa magra, sobretudo quando não existe treino de força e adequação proteica.

Comer melhor é a base. Comer menos, quando necessário, deve ser uma decisão ajustada à pessoa — não uma regra automática.

Durante muitos anos, o exercício foi apresentado sobretudo como uma forma de gastar calorias.

Hoje sabemos que esta abordagem é insuficiente.

O músculo esquelético tem funções fundamentais na utilização de glicose, na capacidade física, no equilíbrio e na autonomia.

Na meia-idade, preservar massa e força muscular deve ser uma prioridade, independentemente da existência de excesso de peso.

O que fazer?

Comece por integrar duas a três sessões semanais de treino de força, adaptadas à sua experiência, capacidade física e condições clínicas.

Complemente com atividade aeróbia, procurando progredir para pelo menos 150 minutos semanais de intensidade moderada, e reduza períodos prolongados de sedentarismo.

Caminhar continua a ser excelente. Mas caminhar e treinar força têm benefícios complementares.

Também é importante garantir energia e proteína suficientes para apoiar recuperação e manutenção muscular.

Em mulheres fisicamente ativas ou com objetivos de recomposição corporal, pode justificar-se uma ingestão proteica superior à recomendação mínima para adultos, frequentemente na ordem de 1,2–1,6 g/kg/dia, dependendo das necessidades individuais.

Esta faixa é uma referência prática, não uma dose universal especificamente comprovada para todas as mulheres na menopausa. Doença renal, outras condições clínicas e objetivos individuais podem exigir ajustes.

Não pense apenas em quantas calorias gasta no treino. Pense no músculo, na força e na capacidade física que está a construir para os próximos 20 ou 30 anos.

Dormir pouco, acordar várias vezes durante a noite ou sentir fadiga persistente pode tornar muito mais difícil manter hábitos alimentares.

E, na menopausa, os afrontamentos e suores noturnos podem agravar estes problemas.

Num ensaio aleatorizado publicado em Diabetes Care em 2024, a redução crónica do sono em mulheres prejudicou a sensibilidade à insulina, mesmo sem alterações relevantes da adiposidade.

Isto não significa que dormir bem seja suficiente para emagrecer. Significa que a duração e a qualidade do sono são componentes importantes da saúde metabólica.

O mesmo se aplica ao stress e ao comportamento alimentar.

Restringir excessivamente a alimentação durante o dia pode contribuir, em algumas pessoas, para episódios de fome intensa ou perda de controlo alimentar ao final do dia.

Estratégias úteis incluem:

  • Criar horários de sono tão regulares quanto possível.

  • Procurar avaliação médica quando afrontamentos ou suores noturnos comprometem o descanso.

  • Organizar refeições nutricionalmente adequadas, evitando longos períodos de restrição que desencadeiem fome excessiva.

  • Identificar situações de alimentação emocional sem culpa ou julgamento.

  • Adaptar o plano alimentar à rotina familiar, profissional e social.

Um plano nutricional que aumenta constantemente a ansiedade ou a preocupação com os alimentos pode não ser o melhor plano, mesmo que inicialmente provoque perda de peso.

A alimentação deve apoiar a saúde, não ocupar toda a vida.

É aqui que muitas tentativas de emagrecimento falham: objetivos demasiado ambiciosos, prazos irrealistas e avaliação quase exclusiva pela balança.

Na menopausa, a estratégia deve privilegiar mudanças graduais e resultados clinicamente relevantes.

Em vez de estabelecer apenas a meta de perder 10 kg, pode definir objetivos como:

  • Realizar dois treinos de força por semana durante o primeiro mês.

  • Incluir uma fonte de proteína adequada nas refeições principais.

  • Aumentar progressivamente o consumo de fibra e hortícolas.

  • Caminhar diariamente ou acrescentar movimento aos períodos sedentários.

  • Melhorar a regularidade do sono.

  • Reavaliar perímetro abdominal, força, sintomas e marcadores metabólicos ao longo do acompanhamento.

Quando existe excesso de adiposidade, uma redução de cerca de 5% do peso inicial pode produzir benefícios metabólicos relevantes em determinadas situações. Mas essa meta não é necessária nem apropriada para todas as mulheres.

O acompanhamento deve permitir distinguir aquilo que está a resultar daquilo que precisa de ser ajustado.

E os resultados não devem ser medidos apenas em quilogramas.

Mais força, melhor capacidade física, menor perímetro abdominal, melhor controlo glicémico, sono mais reparador e maior autonomia alimentar são também resultados importantes.

O que ainda não sabemos

Apesar dos avanços científicos, continua a ser difícil separar completamente o efeito do envelhecimento do efeito específico da transição menopáusica sobre o peso e a composição corporal.

Não existe uma distribuição ideal de macronutrientes demonstrada para todas as mulheres nesta fase, nem um protocolo de jejum, suplementação ou treino que seja universalmente superior.

Também não está demonstrado que testes comerciais de microbiota ou painéis hormonais extensos possam identificar uma dieta personalizada mais eficaz para emagrecer na menopausa.

A resposta individual varia e deve ser acompanhada através de resultados clínicos relevantes.

Quando procurar acompanhamento individual?

Se apresenta aumento persistente da gordura abdominal, alterações metabólicas, perda de força, fadiga, perturbações importantes do sono, sintomas digestivos ou múltiplas tentativas de emagrecimento seguidas de recuperação do peso, poderá beneficiar de uma avaliação clínica integrada.

A avaliação é particularmente importante se existir diabetes, doença tiroideia, doença renal, osteoporose, medicação com impacto no peso, antecedentes de perturbação do comportamento alimentar ou menopausa precoce.

A terapêutica hormonal da menopausa pode ser indicada para determinados sintomas e deve ser discutida com o médico. Não constitui, por si só, um tratamento para emagrecer.

A menopausa não exige uma dieta mais rígida. Exige compreender melhor o corpo, proteger o músculo e escolher estratégias que possam ser mantidas.

A alimentação saudável não é dieta. É estilo de vida.

Dra. Catarina Cachão Bragadeste, MSc
Nutricionista Especialista em Nutrição Clínica · CP 0402N
Certificada em Medicina do Estilo de Vida — IBLM

Nota clínica

Conteúdo educativo. Não substitui avaliação médica ou nutricional individual.

Referências científicas

As referências abaixo sustentam a atualização e incluem estudos originais, revisões sistemáticas e recomendações clínicas publicados nos últimos cinco anos.

  1. Xia T, et al. Optimal Dietary Patterns for Lower Weight Gain and Risk of Obesity Surrounding Menopause. JAMA Network Open. 2026;9(5):e2613102. DOI.
  2. Vieira-Potter VJ, Mishra G, Townsend KL. Health of adipose tissue: oestrogen matters. Nature Reviews Endocrinology. 2026;22:76–91. DOI.
  3. Panay N, et al. International Menopause Society (IMS) recommendations and key messages on women’s midlife health and menopause. Climacteric. 2025;28(6):634–656. DOI.
  4. Lumsden MA, et al. European Society of Endocrinology clinical practice guideline for evaluation and management of menopause and the perimenopause. European Journal of Endocrinology. 2025;193(4):G49–G81. DOI.
  5. Zuraikat FM, et al. Chronic Insufficient Sleep in Women Impairs Insulin Sensitivity Independent of Adiposity Changes: Results of a Randomized Trial. Diabetes Care. 2024;47:117–125. DOI.
  6.  Momma H, et al. Muscle-strengthening activities are associated with lower risk and mortality in major non-communicable diseases: a systematic review and meta-analysis of cohort studies. British Journal of Sports Medicine. 2022;56:755–763. DOI.

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