Superalimentos – Levedura de Cerveja

Como vai caro leitor?

Hoje vamos inaugurar uma nova rubrica sobre “alimentos funcionais”. Sabe o que são?

 A sociedade moderna está cada vez mais complexa. Os padrões de vida exigentes são responsáveis pelo aumento de stress, cansaço, depressão e ansiedade, bem como de diversas doenças crónicas (ex. doenças cardiovasculares, hipertensão, dislipidémia, diabetes tipo 2, obesidade, doença coronária, cancros, etc).

    Apesar disto se verificar um pouco por todo o mundo, a baixa incidência de doenças em alguns povos tem captado a atenção da ciência, em especial, pelos seus regimes alimentares:

  • Os esquimós, com a sua alimentação baseada em peixes e mariscos, fontes de gorduras poli-insaturadas ómegas-3 e -6, têm uma baixa prevalência de doenças cardíacas.
  • Os franceses, apesar do consumo das gorduras saturadas dos queijos gordos, também apresentam baixos índices de doença cardiovascular. Facto associado ao consumo de vinho tinto, o qual apresenta grande quantidade de taninos (compostos fenólicos antioxidantes). 
  • Os orientais apresentam baixa incidência de cancro da mama, devido ao consumo de soja, rica em fitoesteróis. Estes povos também consomem muitas frutas e vegetais, reduzindo a incidência global de doença coronária e de todos os cancros.

 
   Assim sendo, podemos questionar o que têm estes alimentos de “tão especial”, para protegerem os povos que os consomem das doenças que mais matam no resto do mundo? Este facto demonstra realmente “o poder da alimentação” e confirma o dito de Hipócrates “Nós somos o que comemos”. Foi então por estas diferenças na incidência de certas doenças, que se começou a estudar as potencialidades de alimentos na protecção da saúde e prevenção da doença.

Assim, nasceram os Alimentos Funcionais OU Superalimentos.



 Alimentos Funcionais Ou Superalimentos


   Os alimentos funcionais fazem parte de uma nova conceção de alimentos, lançada pelo Japão na década de 80, através de um programa do governo que tinha como objetivo desenvolver alimentos saudáveis para uma população que envelhecia e apresentava uma grande expectativa de vida.
   Na última década, o estudo dos alimentos funcionais  tem sido impulsionado, em grande parte, pelo aumento da consciência dos consumidores em relação à saúde, que desejando prolongar a sua qualidade de vida, optam por hábitos alimentares mais saudáveis.

    Assim, o que distingue estes alimentos?
   Os alimentos funcionais devem apresentar propriedades benéficas para a saúde, além das nutricionais básicas, sendo apresentados na forma de alimentos comuns. São consumidos em dietas convencionais, mas demonstram capacidade de regular funções corporais, prevenindo a doença. Ou seja, são todos os alimentos ou bebidas que, consumidos na alimentação quotidiana, podem trazer benefícios fisiológicos específicos, graças à presença de ingredientes saudáveis.

   Entre estes “ingredientes saudáveis” benéficos para a saúde, estão:

  • Carotenóides 
  • Fibras
  • Isoflavonas
  • Prebióticos
  • Ómega-3
  • Fitoesteróis
  • Antocianina
  • Alicina
  • Catequinas
  • Sulforafano

    A indústria farmacêutica rapidamente percebeu a potencialidade destas substâncias começando a isolá-las, concentrá-las e vendê-las (isoladas ou conjugadas), sob a forma de suplementos alimentares. 
   De facto, o crescente interesse do público pela saúde tem aumentado o consumo de suplementos dietéticos. Contudo, paremos para pensar: será igual consumir um “comprimido” ou ingerir um alimento?? a resposta é não!
   São poucos os estudos que comprovam a eficácia e a segurança de compostos isolados, extraídos de alimentos. Porém, são imensos os estudos que comprovam a relação do consumo de alimentos com a prevenção de doenças!! Isto porque o alimento é um “conjunto” de várias substâncias em equilíbrio natural. Já a formulação isolada (em cápsula, comprimido ou xarope) não tem a mesma interacção com o nosso organismo, poderá, por exemplo, diferir na taxa de metabolização (maior ou menor que no alimento). 

   Acredite, não há nada melhor do que “o alimento” no seu estado puro e natural. Não quero dizer com isto que os suplementos sejam inúteis. São de facto muito úteis em determinadas situações, mas carecem de cuidados na sua utilização, pois o excesso pode ser prejudicial. Não tome suplementação sem se aconselhar com um profissional de saúde, já que, entre outros problemas, estes podem interagir com medicação que esteja a tomar ou podem mesmo causar reacções alérgicas.
   Destacamos ainda que para beneficiar das propriedades funcionais dos alimentos deve integrá-los na sua alimentação diária, evitando a monotonia e o excesso. Isto é, mesmo que um alimento tenha uma propriedade benéfica para a saúde, não deve exceder a quantidade recomendada e repeti-lo todos os dias. O excesso é sempre prejudicial, seja do que for.

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Levedura de cerveja

    A levedura é um fungo unicelular (Saccharomyces cerevisiae) utilizado, principalmente, na fermentação de cerveja e de produtos de panificação e confeitaria. Atualmente, tem vindo a “ganhar fama” como suplemento alimentar. Vejamos porquê:
   A levedura de cerveja pode ser apelidada de superalimento pelas suas propriedades nutricionais e benefícios para a saúde. Desde logo é constituída por quase 50% de proteínas de alto valor biológico, com um balanço equilibrado de aminoácidos essenciais. Mais! É um excelente suplemento em ácidos nucleicos e em vitaminas do complexo B, entre as quais B1, B2, niacina, ácido pantoténico, B6 e ácido fólico. Por esta razão, costuma ser utilizada como suplemento alimentar em casos de:

  • Cansaço cerebral, falta de memória, irritabilidade e ansiedade;
  • Reforço da capacidade mental;
  • Manutenção da saúde do cabelo, unhas e pele;
  • Acne, eczemas e psoríase;
  • Reforço do sistema imunitário;
  • Controlo das gorduras do sangue;
  • Controlo da diabetes;
  • Estimulação do apetite;
  • Regulação do trânsito intestinal.

     Em termos de conteúdo em minerais e oligoelementos, destacam-se o magnésio, potássio, ferro, selénio, fósforo e crómio, pelo que a sua utilização como suplemento vitamínico e mineral em dietas restritivas ou de emagrecimento está aconselhada.

  Não obstante, por ser muito nutritiva, a levedura de cerveja tem uma aplicação alargada, sendo  aconselhada em várias estilos e fases do ciclo de vida: desde desportistas, crianças em fase de crescimento, estudantes, grávidas, idosos e doentes em convalescença.
   A dose oral recomendada é de 6g por dia, podendo variar de acordo com a formulação em que se apresenta (pó, cápsula, comprimido ou xarope). As reacções adversas são raras e incluem principalmente reacções de hiper-sensibilidade ou alergia, como enxaqueca, desconforto intestinal, flatulência, mas também prurido (comichão), urticária, exantemas locais ou gerais (“babas”) e edema (inchaço).
   Acrescenta-se ainda que não são conhecidas interacções com alimentos ou doenças, não existindo nenhum motivo para esperar uma interacção clinicamente significativa com a levedura de cerveja.
   Quando em pó, pode ser diluída em sopas, sumos, iogurtes ou outros alimentos, constituindo uma mais-valia diária para a saúde e uma prevenção para a doença.