Outubro – Mês da alimentação sustentável

Chegou o Outubro. Todos os anos, a dia 16/10 celebra-se o dia Mundial da Alimentação. Data esta que marca o dia da fundação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em 1945.

O Dia Mundial da Alimentação é um apelo global à Erradicação da Fome, por um mundo em que alimentos nutritivos estejam disponíveis e sejam acessíveis a todos, em qualquer lugar. Hoje, porém, mais de 820 milhões de pessoas não têm alimentos suficientes e a emergência climática é uma ameaça crescente à segurança alimentar. Enquanto isso, dois mil milhões de homens, mulheres e crianças têm sobrepeso ou são obesos. As dietas não saudáveis apresentam um enorme risco de doenças e morte. É inaceitável que a fome esteja a aumentar num momento em que o mundo desperdiça mais de mil milhões de toneladas de alimentos por ano. Está na hora de mudar a forma como produzimos e consumimos, inclusive para reduzir as emissões de efeito estufa. A transformação dos sistemas alimentares é crucial para o cumprimento de todos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

António Guterres, Nações Unidas

O Diário de uma Dietista não poderia ficar fora desta iniciativa tão importante. Porque cada um de nós faz a diferença.  Vamos todos envolver-nos nesta missão: por um mundo mais sustentável e sem fome.

Por isso decidimos nomear Outubro como o mês da Alimentação saudável e da Sustentabilidade, dedicando-lhe novas publicações semanais e receitas, para demonstrar que é possível e que as escolhas alimentares individuais fazem a diferença!

Sustentabilidade

A sustentabilidade é um assunto que está na ordem do dia.

Todos os dias somos confrontados com notícias nada animadoras sobre a forma como estamos a utilizar os recursos do nosso planeta, sendo a alimentação um dos principais fatores que contribuem para este desequilíbrio.

População Mundial

Em 2050 a população mundial será superior a 9 biliões e será preciso aumentar a produção de alimentos em cerca de 60%.

Assim, sempre que compra um produto alimentar, é importante que pense no tipo e quantidade de recursos que foram utilizados para produzir e trazer esse alimento até si.

Adotar uma alimentação sustentável e ao mesmo tempo saudável é um dos principais passos para reduzirmos a nossa pegada ambiental.

Este é um dos indicadores ambientais e inclui a pegada hídrica (quantidade de água utilizada) e de carbono (emissão de gases de estufa durante o ciclo de vida do alimento). Este indicador permite identificar que alimentos são ou não sustentáveis.

Pegada Ecológica

A pegada ecológica é um indicador da quantidade de recursos consumidos. A pegada ecológica total é uma medida da área de terra biologicamente produtiva e de água que a população necessita para satisfazer o consumo, num dado momento, tendo em conta todos os recursos materiais e energéticos.

Para além destes, existem outros critérios a ter em conta na classificação de um alimento como sustentável:

  • Respeita o bem-estar do ambiente, animais, produtores e consumidores;
  • Produzido local (alimentos produzidos na proximidade, o que faz com que tenham uma cadeia de distribuição curta) e sazonalmente (alimento fresco, que se encontra disponível localmente e em condições de maturação adequadas para o seu consumo), e adquirido junto dos produtores;
  • Utiliza o menor número de recursos para a sua produção (por exemplo, água, combustível);
  • Produzido através de métodos de produção que respeitem os animais e o meio ambiente.

Dieta sustentável

A Food and Agriculture Organization (FAO), identificou em 2015, o que seria uma dieta sustentável e esta assenta basicamente, nos pilares de um alimento sustentável:

  • terá de ter baixo impacto ambiental,
  • contribuir para a segurança alimentar e nutricional da população
  • e, ainda, para o seu estado de saúde, tanto no presente quanto no futuro.
  • Para além disso, tem de ser acessível, culturalmente aceite e nutricionalmente adequada.

Alguns passos que poderá adotar para ter uma alimentação sustentável:

  • Ocupar o prato com ¼ de produtos de origem animal e ¾ com alimentos de origem vegetal;
  • Substituir o consumo de produtos animais (carne, pescado, ovos) por produtos de origem vegetal como as leguminosas (feijão, grão, ervilhas, lentilhas, etc.);
  • Ir às compras com uma lista dos alimentos que realmente precisa para evitar fazer compras desnecessárias;
  • Preferir alimentos locais e sazonais;
  • Reaproveitar as sobras das refeições;
  • Reduzir o desperdício na preparação/confeção dos alimentos;
  • Limitar a utilização do forno. O forno consome bastante mais energia do que cozinhar, por exemplo, numa panela de pressão;
  • Adquirir produtos a granel ou embalados em embalagens familiares (em vez de embalagens individuais);
  • Verificar a temperatura de refrigeração e congelação do frigorífico e congelador;
  • Produzir os próprios alimentos (ter, por exemplo, uma horta ou apenas um canteiro com ervas aromáticas);
  • Acondicionar os alimentos que têm um prazo de validade mais curto de forma mais visível.

A pirâmide Alimentar Sustentável

O Modelo da Dupla Pirâmide foi desenvolvido pelo BCFN Foundation e permite visualizar o que seria uma alimentação sustentável uma vez que os grupos de alimentos estão organizados de acordo com os indicadores ambientais.

Segundo este modelo, os alimentos que têm menor impacto ambiental seriam os hortícolas, fruta, cereais integrais e derivados, alimentos estes que são os mais consumidos na Dieta Mediterrânica, sendo esta uma das dietas mais consideradas mais sustentáveis (e saudáveis).

Pirâmide da Alimentação Sustentável

Por outro lado , ambas as pirâmides estão de acordo:

Os alimentos de origem vegetal como frutas e vegetais, além de grãos e cereais são não só os mais saudáveis, mas também os mais sustentáveis!

Por outro lado, fontes de proteína animal e óleos estão no topo dos menos saudáveis e mais poluentes!

Mas e as dietas de emagrecimentos low-carb e paleo que incentivam a comer MUITA carne, ovo, peixe e poucos cereais e frutas??? podem emagrecer (temporariamente), mas se todos comessem assim o planeta precisaria de voltar mesmo ao paleolítico para se regenerar!

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É URGENTE!

Vale a pena ler e aprender sobre estas matérias.

Para viver dentro dos limites dos recursos do planeta, a pegada ecológica mundial teria de ser igual à biocapacidade da Terra. Ou seja, para alcançar este equilíbrio, a pegada ecológica média de cada pessoa teria de ser atualmente inferior a 1,7 hectares globais (gha), pois é essa a biocapacidade média do nosso planeta, segundo a Footprint Network.

Atualmente, a nossa pegada ecológica é maior do que a biocapacidade do nosso planeta. A pegada ecológica mundial era de 2,75 gha por pessoa em 2016, segundo os últimos dados da Global Footprint Network. A pegada ecológica média de cada português no mesmo ano era de 4,1 gha, face a uma biocapacidade de 1,3 gha em Portugal.

Vamos lutar pelo nosso planeta?

#diamundialdaalimentacao #worldfoodday #foodheroes