Outubro – Mês da alimentação sustentável

Dra. Catarina Cachão Bragadeste
Nutricionista, cédula 0402N

Cartaz do Dia Mundial da Alimentação com pessoas a segurar legumes, grãos e produtos agrícolas, promovendo
Chegou o Outubro. Todos os anos, a dia 16/10 celebra-se o dia Mundial da Alimentação. Data esta que marca o dia da fundação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em 1945.
Cartaz do Dia Mundial da Alimentação com pessoas a segurar legumes, grãos e produtos agrícolas, promovendo

O Diário de uma Dietista não poderia ficar fora desta iniciativa tão importante. Porque cada um de nós faz a diferença.  Vamos todos envolver-nos nesta missão: por um mundo mais sustentável e sem fome.

Por isso, anualmente, decidimos nomear Outubro como o mês da Alimentação saudável e da Sustentabilidade, dedicando-lhe novas publicações semanais e receitas, para demonstrar que é possível e que as escolhas alimentares individuais fazem a diferença!

Sustentabilidade

A sustentabilidade é um assunto que está na ordem do dia.

Todos os dias somos confrontados com notícias nada animadoras sobre a forma como estamos a utilizar os recursos do nosso planeta, sendo a alimentação um dos principais fatores que contribuem para este desequilíbrio.

População Mundial

Em 2050 a população mundial será superior a 9 biliões e será preciso aumentar a produção de alimentos em cerca de 60%.

Assim, sempre que compra um produto alimentar, é importante que pense no tipo e quantidade de recursos que foram utilizados para produzir e trazer esse alimento até si.

Adotar uma alimentação sustentável e ao mesmo tempo saudável é um dos principais passos para reduzirmos a nossa pegada ambiental.

Este é um dos indicadores ambientais e inclui a pegada hídrica (quantidade de água utilizada) e de carbono (emissão de gases de estufa durante o ciclo de vida do alimento). Este indicador permite identificar que alimentos são ou não sustentáveis.

Pegada Ecológica

A pegada ecológica é um indicador da quantidade de recursos consumidos. A pegada ecológica total é uma medida da área de terra biologicamente produtiva e de água que a população necessita para satisfazer o consumo, num dado momento, tendo em conta todos os recursos materiais e energéticos.

Para além destes, existem outros critérios a ter em conta na classificação de um alimento como sustentável:

Dieta sustentável

A Food and Agriculture Organization (FAO), identificou em 2015, o que seria uma dieta sustentável e esta assenta basicamente, nos pilares de um alimento sustentável:

  • terá de ter baixo impacto ambiental,
  • contribuir para a segurança alimentar e nutricional da população
  • e, ainda, para o seu estado de saúde, tanto no presente quanto no futuro.
  • Para além disso, tem de ser acessível, culturalmente aceite e nutricionalmente adequada.

Alguns passos que poderá adotar para ter uma alimentação sustentável:

A pirâmide Alimentar Sustentável

O Modelo da Dupla Pirâmide foi desenvolvido pelo BCFN Foundation e permite visualizar o que seria uma alimentação sustentável uma vez que os grupos de alimentos estão organizados de acordo com os indicadores ambientais.

Segundo este modelo, os alimentos que têm menor impacto ambiental seriam os hortícolas, fruta, cereais integrais e derivados, alimentos estes que são os mais consumidos na Dieta Mediterrânica, sendo esta uma das dietas mais consideradas mais sustentáveis (e saudáveis).

Pirâmide alimentar e ambiental com alimentos como legumes, peixe, carne e cereais, mostrando impacto ecológico
Pirâmide da Alimentação Sustentável

Por outro lado , ambas as pirâmides estão de acordo:

Os alimentos de origem vegetal como frutas e vegetais, além de grãos e cereais são não só os mais saudáveis, mas também os mais sustentáveis!

Por outro lado, fontes de proteína animal e óleos estão no topo dos menos saudáveis e mais poluentes!

Mas e as dietas de emagrecimentos low-carb e paleo que incentivam a comer MUITA carne, ovo, peixe e poucos cereais e frutas??? podem emagrecer (temporariamente), mas se todos comessem assim o planeta precisaria de voltar mesmo ao paleolítico para se regenerar!

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Para viver dentro dos limites dos recursos do planeta, a pegada ecológica mundial teria de ser igual à biocapacidade da Terra. Ou seja, para alcançar este equilíbrio, a pegada ecológica média de cada pessoa teria de ser atualmente inferior a 1,7 hectares globais (gha), pois é essa a biocapacidade média do nosso planeta, segundo a Footprint Network.

Atualmente, a nossa pegada ecológica é maior do que a biocapacidade do nosso planeta. A pegada ecológica mundial era de 2,75 gha por pessoa em 2016, segundo os últimos dados da Global Footprint Network. A pegada ecológica média de cada português no mesmo ano era de 4,1 gha, face a uma biocapacidade de 1,3 gha em Portugal.

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