Gravidez: Mês 1

Como vai caro leitor?

Hoje iremos iniciar os nossos artigos sobre gravidez.

O termo médico para gravidez é gestação que significa:

Estado normal e fisiológico da mulher desde a fecundação do óvulo pelo espermatozoide até ao parto. A gravidez, que dura cerca de 266 dias, provoca alterações do útero, do corpo e, até, psíquicas que, regra geral, regridem cerca de um mês após o parto. (In Infopedia)

 

Ao contrário do que poderíamos pensar a gravidez não se inicia no dia da fecundação. Por não se poder garantir exatamente quando esta ocorre, o seu médico irá contar a gravidez desde o 1º dia da última menstruação. Assim, quando ocorre a fecundação (normalmente entre o 11º e o 16º dia do ciclo) já está teoricamente grávida de 2 semanas. Parece estranho, mas é por isso que o tempo total de gravidez pode ir das 38 às 42 semanas (em média 40). Portanto, hoje iremos falar do 1º mês de gravidez, das 0 às 4 semanas, que vai desde o 1º dia da última menstruação até, aproximadamente, à primeira falta da próxima (e o seu 1º teste de gravidez) 🙂 . Engraçado não é?

Gostaria de lhe dizer que estes artigos sobre gravidez escreverei em nome próprio (Catarina Bragadeste), num tom pessoal, contando-lhe a minha própria experiência, já que estou grávida também.  Mais do que nutricionista, ou qualquer outra profissão, nestas fases da nossa vida somos mulheres. Todas temos os mesmos medos, dúvidas, anseios… e por isso vou tentar ajudar quem me acompanhar nesta “viagem” mês a mês.

 

Das 0 às 2 semanas

Como disse anteriormente, das 0 às 2 semanas de gestação ainda não está grávida, mas sim à espera de ovular. Não pense que esta fase é menos importante, aliás, caso seja uma gravidez planeada, esta fase já exigiu da sua parte imensos cuidados. Em primeiro lugar é essencial que tenha escolhido um médico com quem se identifique e confie. Juntos vão “preparar” a gravidez, fazendo os devidos exames clínicos e a suplementação adequada. Para além disso, aprenderá os cuidados a ter com a segurança alimentar durante a gestação e esclarecerá dúvidas importantes, como o aumento expectável do peso, quanto tempo após deixar o contracetivo pode engravidar, etc…

Exames clínicos

Caso não haja antecedentes de aborto ou outras complicações, os exames a fazer são simples:

  • Colpocitologia (teste de papanicolaou) – é um exame utilizado para detectar a presença de cancro e de situações pré-cancerosas do colo do útero
  • Ecografia pélvica ou endovaginal (nem sempre necessário) – permitem avaliar alterações e revelar anomalias congénitas, alterações infeciosas ou quistos e tumores.
  • Análises laboratoriais – depende de caso para caso. Mas com certeza o seu médico irá pedir o hemograma (deteção de anemias), a glicémia em jejum (concentração de açúcar no sangue), a função da tiróide, o tipo de sangue, o teste de coombs, alguns minerais e vitaminas (ex. ferro, B12, ácido fólico, iodo e vitamina D) e a imunidade contra alguns virús e outros parasitas (como toxoplasmose, rubéola, citomegalovirus, HIV, hepatites). Poderá ainda pedir o doseamento de algumas hormonas, para verificar a sua “fertilidade”.

 

Suplementação

Durante a gravidez as necessidades nutricionais da mulher alteram-se bastante. Não tanto em termos calóricos, já que só a partir do 2º e 3º trimestre a gestante passa a gastar cerca de mais 300kcal/dia (não mais que um pão ou 2 frutas), mas sim em termos vitamínicos e minerais.

Na tabela ao lado podemos ver uma lista dos micronutrientes mais importantes durante a gestação e suas doses diárias, em comparação com a mulher adulta e a lactante, segundo a DGS. Assim, juntamente com o seu médico, irão decidir qual o suplemento mais adequado à sua gestação. Habitualmente, recomenda-se que a mulher comece este complemento alguns meses antes de engravidar, para garantir que não há qualquer défice que impeça o normal decorrer da gestação. A DGS recomenda a todas as gestantes ou mulheres que planeiem engravidar a suplementação de ácido fólico, iodo e mais tarde de ferro. Contudo, o seu médico pode optar por um complexo de vitaminas e minerais, que inclua, por exemplo, ómega-3, essencial ao correto desenvolvimento do sistema nervoso do feto.

 

Peso

Outro assunto que com certeza o seu médico irá abordar, de preferência antes de engravidar, é o controlo do peso. Caso tenha excesso de peso, o ideal seria consultar um nutricionista alguns meses antes de engravidar. Juntos irão delinear uma estratégia saudável, para gerir o seu peso, tendo em conta a futura gravidez. Não é a fase ideal para “dietas da moda” com restrições acentuadas, que podem alterar o seu balanço hormonal ou mesmo causar desequilíbrios nutricionais.

Também neste campo a prática de exercício é essencial. O controlo do peso não depende apenas da alimentação, mas também do seu nível de atividade. Para além disso, é inquestionável o papel do exercício regular no controlo da pressão arterial, do açúcar no sangue e no controlo hormonal (veja esta revisão – em inglês -sobre a importância do exercício sobre a ovulação). Assim, se quer reunir as melhores condições para o seu bebé e para passar uma gravidez calma, não se esqueça da atividade física! Se não tem qualquer experiência comece por caminhar ao ar livre, andar de bicicleta, fazer aulas acompanhadas ou procure um ginásio que a cative!

Voltando ao peso: Durante a gravidez o ganho ponderal varia de acordo com o peso inicial, veja o seguinte gráfico:

Fonte Direção Geral de Saúde

Mas o que justifica exatamente este aumento do peso, se em média o bebé pesa 3kg? Veja esta imagem:

 

Portanto, o peso no final da gestação é composto por inúmeras parcelas variáveis, por isso é que todas somos diferentes. O objetivo será ganhar o mínimo de gordura possível, consoante o IMC inicial. Muitas mulheres não ganham qualquer peso durante o primeiro trimestre, devido aos vómitos e sintomas desagradáveis (mas isso vamos deixar para o 2º mês).

 

 

Higiene e segurança alimentar

Este tema é especialmente importante na gravidez, não só devido à toxoplasmose (análise que vai com certeza fazer), mas também pelo perigo de contrair toxinfeções alimentares durante a gravidez. Se para si pode ser um simples episódio de vómito e diarreia, para o pequeno “amontoado” de células em plena multiplicação, não será assim tão simples. Deste modo, para minimizar o risco de salmonelose, listeriose ou ingestão excessiva de metais pesados (ex mercúrio) deve…

Limitar o consumo de:

 Laticínios não pasteurizados

 Queijos mal curados

 Queijo fresco e requeijão

 Enchidos e fumados

 Espadarte, tamboril ou tintureira

 Carne e peixe mal cozinhados (ex. sushi)

 Legumes e fruta mal lavados

 Marisco

 Patês de qualquer tipo

 

Para além disso, com vista a minimizar o risco de contaminação cruzada, deve ter cuidado a preparar os alimentos:

  • Lavar as mãos com água morna e sabonete:
    • Antes e depois de manusear alimentos
    • Depois de utilizar a casa de banho
    • Depois de estar em contacto com animais
  • Lavar muito bem os legumes com água corrente;
  • Lavar todos os frutos, mesmo se pretender descascá-los;
  • Separar os alimentos crus dos alimentos prontos a consumir;
  • No frigorífico, conservar a carne e o peixe crus sempre bem embalados e na zona intermédia, e os produtos em fase de descongelação na prateleira inferior, acondicionados em recipientes que evitem o derrame de líquidos resultantes do processo de descongelação;
  • Os alimentos cozinhados nunca devem ser colocados em recipientes onde estiveram alimentos crus, sem que o recipiente seja bem lavado;
  • Quando os alimentos são reaquecidos, devem ser levados à fervura, ou então reaquecidos a altas temperaturas por algum tempo;
  • Aquecer completamente as refeições prontas-a-comer e as “sobras” antes de servir;
  • Cozinhar completamente a carne; certificar se a carne congelada está corretamente descongelada antes de cozinhar;
  • Se usar o micro-ondas, seguir as instruções do fabricante e certificar-se de que o alimento está bem cozido no interior;
  • Verificar sempre o prazo de validade na embalagem dos alimentos;
  • Usar luvas quando fizer jardinagem e lavar as mãos após esta prática;
  • Usar luvas ao manipular os excrementos de gato (potencial transmissor de toxoplasmose).

 

Todos estes fatores deveriam ser  previamente pensados e discutidos com o seu médico assistente. Porém, se não o fez, deve apressar-se assim que descobrir que está grávida. Não se preocupe, ainda vai a tempo!

 

Das 2 às 4 semanas

Gravidez – 2 semanas

Posto isto e agora que já sabemos tudo sobre os cuidados a ter antes e durante a gravidez, vamos voltar às primeiras 4 semanas.

É  por volta do 14ª dia que se dá a fecundação, dependendo do seu ciclo, este dia pode variar bastante. É essencial que conheça bem o seu corpo se planeia mesmo engravidar. A janela de oportunidade é muito curta, já que se estima, que depois de libertado o óvulo “viva” apenas 24h. Assustador não é? Por isso o melhor que tem a fazer é monitorizar o seu ciclo nos últimos meses. Atualmente existem aplicações muito práticas para telemóvel. Eu própria usei durante os meses antes de engravidar o “Period calendar“. Estas aplicações fazem as contas por si e indicam os seus dias mais férteis! Depois de reunir a informação de alguns meses, terá o seu período fértil bem determinado, depois é só “passar à ação”! E não se preocupe, é normal que não  “acerte à primeira”. Se para umas pessoas parece “brincadeira de criança”, para outras pode ser uma longa jornada!

Adiante! Caso tenha dúvidas sobre “como engravidar/ período fértil” sinta-se livre para colocar as suas questões.

Agora que fez “tudo” o que tinha de fazer, começa a espera para saber se “resultou”. Após a ovulação mais nada lhe resta que não esperar o tempo certo para fazer o teste! E quanto tempo é? Depende! Todos os testes recomendam que se espere pelo 1º dia de falha de menstruação, garantindo 99% de sensibilidade. Contudo, após a implantação do embrião (nidação) no útero começa a produção de beta-hCG, a hormona da gravidez, que faz a famosa linha que queremos ver no tão esperado teste. Assim, muitas vezes não  é preciso esperar pelo 14º dia após a ovulação (DPO), obtendo linhas mais fraquinhas (mas visíveis) logo após o 9º DPO. Foi o que me aconteceu, tendo conseguido o primeiro positivo no 10º DPO com a primeira urina da manhã (incrível não é?). Pode ver e comparar os primeiros sinais e sintomas, bem como os resultados de testes neste site muito útil: Countdown to Pregnancy: The Very Early Signs & Symptoms. No meu caso o primeiro sintoma, portanto a partir da 3ª semana de gravidez (10º DPO) foram as famosas “moínhas” na barriga (como se fosse menstruar), sono e cansaço anormal, enfartamento e enjoo após o almoço, mama dorida e ligeira perda de sangue. Lembre-se que cada caso é um caso, existem mulheres que não têm qualquer sintoma durante meses.

Após descobrir a a gravidez através do teste de farmácia, normalmente na 4ª semana de gravidez, deve contactar o seu médico para confirmar através da beta-hCG sanguínea (colheita de sangue simples). O aumento desta hormona vai servir durante vários meses para monitorizar a correta evolução da sua gestação.  Os níveis são muito variáveis como pode ver na tabela ao lado.  É importante referir que a maioria dos testes só têm sensibilidade a partir das 25 ou mesmo 50 mIU/ml, por isso é normal que, se fizer o teste demasiado cedo, não veja qualquer linha ou mesmo um traço muito ténue.  Seja paciente e volte a tentar dentro de 24 a 48horas!

 

Pois bem, assim se passam as primeiras 4 semanas de gravidez, em que só está realmente grávida a partir da 2ª e provavelmente só descobrirá à 4ª semana ou depois. Espero que este artigo lhe seja útil, volto em breve para lhe falar sobre o 2º mês de gestação! Qualquer questão pfv disponha!