Frutas de Outono

Dra. Catarina Cachão Bragadeste
Nutricionista, cédula 0402N

Maçãs, peras, romã e abóbora sobre mesa escura, com nozes partidas e bagas espalhadas, sugerindo refeição saudável
Como vai caro leitor? Estamos em pleno outono . Apesar dos dias estarem amenos e agradáveis, já se nota aquela luz característica dos dias mais curtos. Neste época do ano a natureza é fértil em frutos que nos preparam e protegem do que há-de vir: o inverno. É deles que hoje falaremos, um a um. Habitualmente têm fama de muito calóricos e há até quem nunca os tenha provado. Vamos então conhecê-los:

Resultado de imagem para diospiroO dióspiro ou caqui é uma fruta da família das rosáceas, com diversas variedades: a vermelha, quando madura, é muito doce e mole e precisa de muito cuidado no transporte para não se amassar. Esta variedade é muito consumida em Portugal. A variedade conhecida como caqui-chocolate (no Brasil) é de cor alaranjada e no interior tem riscas cor de chocolate. É mais dura e resistente e não tão doce como a vermelha.

Em termos nutricionais, o dióspiro é rico em açucares de absorção rápida, água e fibras. No entanto, os benefícios do dióspiro fazem dele um alimento muito apetecível. É rico em água e em carotenos, elementos antioxidantes que, depois de absorvidos pelo organismo, são transformados em vitamina A. Tem um papel importante ao nível da visão e da pele, e importante no crescimento, no desenvolvimento ósseo e reprodução.

Ao chegar ao nosso intestino, a fibra solúvel do dióspiro (pectina) sofre um processo de fermentação que liberta ácidos gordos de cadeia curta. Estes contribuem para o controlo da glicemia (açúcar no sangue) e dos níveis de colesterol. E ainda ajudam a prevenir inflamações na parede do intestino, promovendo uma flora intestinal mais saudável.

É desaconselhado a pessoas com insuficiência renal, cuja condição pode ser agravada se houver excesso de potássio na sua corrente sanguínea.

Por 100g possui 58kcal, das quais 83% são água,  15%são açúcar e 1,5% são fibras solúveis.

In saboreiaavida.nestle.pt

A Anona também conhecida como fruta do conde ou graviola, no Brasil, ou como soursop em Inglês. A anona é um fruto delicioso, ainda que à primeira vista não seja o fruto mais atrativo (nem à vista, nem ao olfato).

Originária dos Andes, a anona é atualmente produzida em vários países, nomeadamente na Espanha, nos países da América do Sul e até em Portugal, mais concretamente nos Açores, Madeira e Algarve.

Trata-se de um fruto tropical, com um tom verde claro, que vai escurecendo à medida que amadurece. A sua superfície exterior tem um aspeto escamoso, mas a sua polpa é branca, cremosa e suculenta e no interior tem várias sementes pretas. Em termos de sabor, apesar de doce, tem também um toque ligeiramente ácido.

Mas se o aspeto não o convence a provar, talvez as propriedades nutricionais possam fazê-lo mudar de ideias. De facto, em termos nutricionais a anona é muito interessante. Rica em hidratos de carbono, fibras, potássio e vitamina C, este fruto ainda contém na sua constituição cálcio, fósforo, magnésio e vitaminas do complexo B, garantindo-lhe alguns dos nutrientes e minerais essenciais para o organismo.

Por 100g fornece 75kcal, das quais 78% são água, 17% são açúcar, 2% são proteína e 2,4% são fibra.
Pelas suas propriedades nutricionais são vários os benefícios para a saúde que lhe são associados. Entre eles podem enumerar-se os seguintes:

  • Ajuda a regular a pressão arterial
  • Tem um efeito purgante no organismo (ou seja, tem uma ação laxativa)
  • Atua como anti-depressivo e ajuda a combater distúrbios nervosos
  • Ajuda a prevenir infeções bacterianas
  • Tem efeitos a anti-cancerígenos (vários estudos referem que, graças à sua composição química, a anona ajuda a combater células malignas em diversos tipos de cancro, devido à presença de duas classes de fitoquímicos na anona: a classe dos flavonóides, e a classe das acetogeninas, que parecem ter efeitos anti-inflamatórios e anti-tumorais)

In VidaAtiva.pt e  stopcancerportugal.com

 
Resultado de imagem para marmeloO marmelo é um arbusto que pertence à família das rosáceas. De origem asiática, ele tem sido um símbolo histórico da fertilidade e do amor. Isso acontece, provavelmente, devido ao fato de que na Grécia, as maçãs douradas, como era chamado o marmelo, estavam consagradas à deusa do amor, Afrodite.
Por ter uma polpa rija e ácida é consumido assado ou cozido, em compota, geleia ou pasta de marmelo.

O marmelo possui diversos benefícios, pois por ser rico em vitamina A, C, do complexo B e E, ácido málico, pectinas, minerais, como o potássio, ferro e cobre.

A pectina, fibra solúvel que é encontrada no marmelo, contribui para a redução do mau colesterol (LDL) e para a regularização do trânsito intestinal. Para além disso, o marmelo é indicado para dores de garganta, dificuldade de mastigação/deglutição, aftas, inflamações no estômago, é também antissético, antiespasmódico e calmante, ajuda a controlar a diarreia, cólicas e fissuras anais.

O marmelo possui taninos, que atuam na mucosa do tubo digestivo, revestindo-o, desinflamando-o e secando-o. Devido ao ácido málico, ele estimula o fígado, anula os vómitos, ajuda a desinchar e a eliminar o ácido úrico, combatendo a gota. O potássio presente na sua composição regula a pressão arterial, prevenindo as doenças cardiovasculares.

Por possuir alto teor de fibra torna-se um laxante natural, que juntamente com as suas poucas calorias, auxiliam no emagrecimento. O seu teor em vitamina C é essencial na prevenção e tratamento de constipações, gripes e anemias.

Por 100g o marmelo fornece 39kcal, das quais 84% são água, 9% são açúcar e 6% são fibra.

No seu aspeto é muito idêntico à maçã. Coza-o o asse-o com canela e sirva como lanche com uma infusão quente.

Adaptado de remedio-caseiro.com

A romã é uma infrutescência da romãzeira (Punica granatum), fruto vulgar no mediterrâneo oriental e médio oriente onde é tomado como aperitivo, sobremesa ou algumas vezes em bebida alcoólica.

Dada a baixa produção nacional de romã (praticamente circunscrita à zona do Algarve, segundo o observatório dos mercados agrícolas e das importações agro-alimentares), a grande maioria das romãs que se consomem em Portugal são provenientes de Espanha, em particular, da região da Andaluzia, que produz algumas das variedades mais sumarentas e nutritivas.

As melhores são as maiores e as mais pesadas, com uma casca firme e acastanhada. Mas se encontrar romãs originárias do Afeganistão, de tom vermelho muito vivo e com, pelo menos, 10 cm de diâmetro, não hesite. São conhecidas como as melhores romãs do mundo!

Em termos nutricionais a romã não possui gordura, apenas hidratos de carbono (e mesmo assim em quantidade reduzida) que dão energia de forma imediata, e um elevado teor de água, que lhe confere uma incomparável suculência e ajuda a manter o corpo saudável e hidratado.Tem uma quantidade significativa de potássio, o que, aliado ao seu reduzido nível de sódio, ajuda a repor o nível hídrico das células. Isto traduz-se numa recuperação mais eficaz da saúde das células, melhorias no sistema nervoso e muscular, e redução da tensão arterial.

É rica em substâncias antioxidantes (flavonóides, pró-vitamina A e vitamina C, bem como taninos, substância responsável pela sensação áspera do sabor da romã) que ajudam a controlar os níveis de colesterol.Possui ainda uma acção anti-inflamatória, digestiva e purificadora do sangue.

É uma fruta recomendada para diabéticos por ter quantidades quase nulas de sacarose (0,2 g por cada 100 g). Para além disso, ajuda a emagrecer porque é pouco calórica e tem um ligeiro efeito diurético.

É de fácil digestão e está indicada para problemas gastrointestinais, como diarreia, úlceras ou flatulência, bem como na prevenção das hemorróidas. Mais importante ainda é o facto de ser um excelente aliado contra o stress, a hipertensão e o colesterol alto, doenças cardiovasculares ou até mesmo contra o cancro, principalmente da próstata.

Em termos nutricionais fornrce 50kcal por 100g, das quais 83% são água, 13% são açúcar e 3,4% são fibra.

Adaptado de lifestyle.sapo.pt

Sugerimos ainda a leitura de outros artigos já escritos sobre frutos da época:

Tudo sobre castanha portuguesa

Frutos gordos ou oleaginosos

Especialidades de Outono

Não existem frutas proibidas. Todas as frutas têm os seus benefícios e desvantagens quando consumidas em excesso ou quando temos algum problema de saúde. Consuma em média 2 a 3 porções de fruta diária (ou 1 a 2 se está a emagrecer), fora das refeições principais, preferindo sempre as frutas de época, de origem nacional, inteiras ou em batido (evitar sumos).

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