Tudo sobre Ervilha

Dra. Catarina Cachão Bragadeste
Nutricionista, cédula 0402N

Ervilhas frescas na vagem e espalhadas, ricas em fibra e proteínas vegetais para uma alimentação equilibrada

Como vai caro leitor?

Hoje voltamos à Receita da Semana. Desta vez falamos sobre um alimento polémico, a ervilha. Na realidade é polémico para a população em geral, pois a nutrição tem uma opinião bem formada sobre ela.

Comecemos por perceber o que é exatamente a ervilha, como se classifica.

Apesar de ser verde a ervilha não é um legume, mas sim uma leguminosa, tal como o grão, feijão, favas, soja, lentilha e tremoço. Só a vagem é considerada legume (ex. feijão-verde, fava quebrada e ervilha torta).

Vejamos a comparação nutricional de alguns deles:

Informação nutricional ervilha

Tabela nutricional comparativa de feijão frade, grão, fava, ervilha e tremoço, com valores por 100g de energia
Fonte: Tabela Portuguesa da Composição dos Alimentos, Instituto Ricardo Jorge, 2008. Nota: Os valores nutricionais são para as leguminosas secas, cozidas.

As leguminosas podem ser comidas frescas, secas ou ainda na vagem. A ervilha pode ser consumida nestas três formas, a diferença entre elas é a maturação do grão, quando ainda em vagem e a perda de alguma água e vitaminas aquando seca.

Em termos nutricionais podemos verificar que toda esta família é idêntica, sendo rica em proteínas, glícidos de absorção lenta e fibra. Em termos micronutricionais destaca-se o seu teor em vitaminas B1, B2, B3 e B6, folatos, vitaminas A, C e K, potássio, fósforo, magnésio, ferro, cobre, zinco e manganésio.

A ervilha em si contém ainda ácidos nucleicos e polifenóis, que são moléculas rejuvenescedoras, que atuam na reparação celular.

Assim, as ervilhas contribuem para:

  • O bom funcionamento do sistema nervoso central e periférico, mantendo a energia e o bom humor
  • Converter os alimentos em energia.
  • Fortalecer a pele, o cabelo, as mucosas e a córnea.
  • Melhorar a circulação sanguínea.
  • Proteger a visão.
  • Reforçar o sistema imunitário.
  • Proteger e regenerar as células.
  • Regular o açúcar do sangue, com interesse para diabéticos e para pessoas com “necessidade por doces”.
  • Favorecer o trânsito intestinal.
  • Controlar o apetite.
  • Melhorar a coagulação sanguínea.
  • Controlar o colesterol.

Modo de consumo

As ervilhas podem ser compradas frescas, secas, congeladas e em conserva. Nesta última é importante tomar atenção ao uso de açúcar na calda como conservante. A forma mais saudável de consumir ervilhas, garantindo todo o seu potencial nutricional são frescas e congeladas.

Uma dose de ervilhas frescas cozidas são 80g, ou seja, 5 a 6 colheres de sopa.

Em termos culinários a ervilha é muito versátil, apesar de a maior parte das pessoas só as conhecer “com ovos escalfados”. Pode introduzi-las em estufados, em salteados com outros vegetais, em omeletes, em macedónia, ou simplesmente cozidas como substituto do arroz, massa e batata.

Não querendo destacar nenhuma receita em especial, sugere-se a consulta deste link onde vai encontrar 1177 receitas de ervilhas, em entradas, sopas e pratos principais.

Cuidados e contraindicações

A ervilha deve ser evitada ou consumida com moderação em caso de:

  • Colite e doenças inflamatórias do intestino (ex. Crohn)
  • Flatulência (gases) e distensão abdominal.
  • Interação com medicamentos anti-coagulantes, pelo seu teor em vitamina K.
  • Potenciação da prisão de ventre por ser fermentativa ou da diarreia, pelo seu teor de fibra.

Em conclusão

A ervilha é uma leguminosa muito saudável que pode e deve ser usada sem restrições, mesmo nas pessoas em emagrecimento. Tem diversos benefícios e muito poucas contraindicações. Além disso, a sua versatilidade na cozinha e acessibilidade (preço e apresentação) potencia o seu consumo. Não hesite em trocar o arroz, massa e batata por ervilha! Ficará mais saudável e satisfeito! 

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