Emagrecer – Como, quando e onde?

Equipa Diário de uma Dietista

Como vai caro leitor?

Hoje vamos escrever sobre um assunto que, apesar de parecer banal, assume grande importância num acompanhamento nutricional de sucesso.

Iremos refletir sobre o que nos faz escolher um determinado profissional ou método, assunto já antes abordado no artigo Quer emagrecer pelas razões certas?

Vamos começar por lhe colocar uma questão simples. Já pensou que fatores o fazem optar por esta ou aquela consulta/método, seja qual for a motivação?

Se decidimos que precisamos de ajuda de um nutricionista é porque pretendemos assumir um compromisso de mudança, seja por razões de saúde ou estéticas. Necessitamos de acompanhamento profissional que nos transmita conhecimentos científicos e que os aplique ao nosso caso, estudando-o e adequando o plano alimentar ao longo do tempo. Mais, precisamos de nos comprometer com alguém, para que isso nos motive e nos faça atingir objetivos. Concorda?

Sugerimos o artigo Nutrição não é emagrecimento.

Voltando à questão anterior: então o que nos faz optar por determinado profissional/método?

Sejamos honestos. A maioria de nós toma as sua decisões com base em fatores como:

  • Marketing e publicidade: aquele método que mais vemos, lemos e ouvimos nos meios de comunicação social.
  • Resultados: o que nos promete resultados mais fáceis, rápidos e “sem sacrifícios”.
  • Afinidade: aquele profissional que seguimos nas redes sociais, na tv, nas revistas e jornais e com quem nos identificamos.
  • Custo: o que nos parece ter um custo mais adequado às nossas possibilidades.

Se pensarmos bem, estes fatores de decisão podem ser aplicados a imensas outras escolhas que fazemos na vida: por exemplo, a escola que vamos frequentar, o ginásio ou PT – treinador pessoal que vamos escolher, o médico que vamos consultar, o restaurante onde vamos jantar no dia do nosso aniversário… enfim. Mas serão estas as razões certas?  Quais os fatores que nos deveriam fazer optar por determinada nutricionista/ método de acompanhamento nutricional?

 Sabemos que atualmente tudo se estuda! Pois bem, são muitos os estudos que pretendem avaliar quais os fatores de adesão a um processo de mudança comportamental em saúde (seja nutricional, no âmbito do exercício, da cessação tabágica, etc). Quais os fatores individuais que nos fazem ter mais ou menos sucesso?

Segundo a teoria cognitiva social, os fatores que influenciam a iniciação e a manutenção da mudança comportamental são pessoais (ex: cognições, emoções) ou ambientaisEstes incluem:

  • Conhecimentos de saúde – consciência de como os seus comportamentos afetam a sua saúde.
  • Crenças de auto-eficácia e expectativas realistas de resultados – perceção de um indivíduo da sua capacidade de pôr em prática determinado comportamento numa situação específica, e ainda a crença de que a realização deste comportamento terá um resultado específico.
  • Capacidade de auto-regulação –  capacidades que permitem que um indivíduo controle o seu comportamento, cognições e ambiente. Por exemplo, conseguir recusar alimentos numa festa ou fazer uma escolha diferente dos demais.
  • Barreiras à mudança –  obstáculos pessoais ou ambientais, para executar um comportamento.

De facto, passando da teoria à prática, são os pacientes que têm mais consciência do impacto da alimentação na sua saúde, que se sentem capazes de mudar, que têm expectativas realistas não querendo perder “3kg numa semana”, que são capazes de dizer NÃO em determinadas situações e conseguem ultrapassar barreiras como o tempo para cozinhar, que têm sempre mais sucesso. São os auto-motivados, que apenas precisam de um guia, de uma orientação. Quando assim é, tudo é fácil, não é por ser o profissional X ou Y, com o método A, B ou C. Tudo resulta.

Mas o que fazer quando as coisas não são assim tão perfeitas?

São estes fatores que o devem fazer escolher o profissional que o vai acompanhar neste processo de mudança:

Acompanhamento continuo: escolha um profissional que o acompanhe com a maior periodicidade possível. Estudos indicam que o acompanhamento semanal ou quinzenal promove maior adesão ao tratamento, em comparação com seguimentos mensais ou mais. Por outro lado, sabe-se que um comportamento demora cerca de 12 semanas (3 meses) a se tornar hábito. Escolha alguém que o possa acompanhar, no mínimo, por este tempo. Seria essencial que mantivesse o contacto com o seu nutricionista pelo menos durante 1 ano, mesmo que fosse mensal ou trimestralmente, para consolidar o novo hábito aprendido. Para que este se torne no seu estilo de vida.

Proximidade: escolha um profissional que esteja disponível para o esclarecer, seja em consulta, ou via email/telefone.
Confiança e empatia: opte por um profissional credenciado, que lhe transmita confiança e com quem simpatize. Estes são fatores essenciais à existência de um compromisso duradouro.
Método personalizado: escolha um profissional que atue de acordo com o paciente. Ou seja, que lhe prescreva um plano alimentar com base na sua história clínica, dietética e preferências. Não se sujeite a métodos já pré-escritos, que se limitam a “preencher espaços em branco” e que não têm em conta o seu EU. Por mais eficazes que eles se digam ser, nunca serão para sempre. Lembre-se disto: não use um meio para atingir um fim que não possa/consiga manter a longo prazo. Já sabe que tudo o que é rígido é efémero. O seu sacrifício físico e monetário terá sido em vão e “para ano” lá terá que repetir, ficando refém desses métodos, que nada lhe ensinam e com consequências desconhecidas para a sua saúde (física e psicológica).
Foco na nutrição: escolha um método que se centre no tratamento através da nutrição. Em vez de a “usar” para que adquira outros serviços que “supostamente” auxiliam a obtenção dos resultados, sejam suplementos, medicamentos, sessões de coaching, tratamentos estéticos… Não tem de usar exclusivamente a nutrição, mas esta deve ser a base de todo o tratamento.
Capacidade crítica: seja crítico em relação a tudo o que lhe aconselham. Ou seja, escolha um método que lhe permita questionar e que  o esclareça. Não aceite, “só porque sins”. Lembre-se que um dos principais pressupostos do sucesso é o conhecimento. Questione se lhe disserem que deve comer apenas “desta marca” ou “comprar apenas naquele espaço”. 
Evite “modas”: modas, são modas. Em tudo na vida. Hoje é uma, amanhã outra. Lembre-se que tudo o que põe dentro do seu corpo irá influenciar a sua saúde futura. Normalmente as modas não têm histórico para sabermos as suas consequências futuras. Pondere sempre antes de aderir à nova moda de suplementos, batidos e tratamentos.
Estilo de vida: por último, este deve ser o seu foco. O profissional deve estimular a mudança dos seus hábitos e da sua família, porque a saúde é para todos e queremos “cá andar” com o máximo de qualidade de vida. Opte por métodos que valorizem o futuro, que incluam os que o rodeiam, que o estimule a fazer exercício, dormir melhor, deixar de fumar, tomar menos medicação, fazer os seus exames de rotina. Este sim é o SEU profissional de saúde. O que deve escolher.

   

 Este texto foi escrito um pouco como desabafo pela equipa Diário de uma Dietista. Porque trabalhamos todos os dias pela sua saúde. Porque para nós nutrição é muito mais do que emagrecer ou dietas, é saúde, qualidade de vida e bem-estar. Se já é nosso paciente sabe do que falamos, se ainda não é saiba que tudo faremos para que tenha o melhor de si. Agradecemos a sua atenção para este artigo que não fala de dietas, nem de estratégias rápidas para obter resultados. Despedimo-nos com a certeza de que continuaremos a fazer o nosso melhor, por si, pois trabalhamos por paixão à nutrição.